domingo, dezembro 25, 2011

Sentimentos? Pra quê?

Por que temos sentimentos? Para sofrer? Sentir dor? Não quero isso. Nunca pedi por isso. Toma, pode pegar meu coração e faça o que quiser com ele, contanto que, a partir do momento que ele saia do meu corpo eu pare imediatamente de sentir qualquer coisa que eu possa sentir. Pois eu cansei disso. Cansei de sentir dor. Cansei de viver.

sexta-feira, dezembro 02, 2011

Sou...

Sou aquela que passa, deixa rastros e não se apega. Sou aquela que todos vêem, mas poucos tem coragem de se aproximar. Sou aquela que se destaca, faz a diferença e tenta não atrapalhar o caminho de ninguém. Sou aquela que muitos tem vontade de ser, mas não admitem. Sou aquela que é melhor que muitos, que sabe disso, mas demonstra fazendo tudo com perfeição ao invés de usar palavras arrogantes. Sou aquela que mesmo rodeada de pessoas, está sempre só. Aquela que, mesmo com a vontade de estar com alguém, sabe que vai estar eternamente sozinha.

terça-feira, outubro 25, 2011

Cacos de vidro

Me sinto andando sobre cacos de vidro. Tenho que dar cada passo com extremo cuidado, pois um erro qualquer pode me machucar.

domingo, outubro 16, 2011

Renascer

Não me lembro de como aconteceu exatamente. Como eu cheguei até aquele lugar. Tenho flashes de memória sobre aquele dia, mas nada concreto. Vejo alguns rostos borrados, luzes, cores, às vezes até sinto cheiros, mas nada que me faça entender como aconteceu. Lembro do que senti. Lembro de estar nos braços de alguém em um lugar onde ouvíamos os sons abafados de alguma outra sala, como se estivéssemos dentro de um quarto com portas e janelas fechadas. Música alta, falatório... Lembro de sentir algo arranhando de leve meu pescoço. E lembro da dor que veio em seguida no mesmo lugar onde meu pescoço havia sido arranhado e do prazer que precedeu a dor. Algo que eu nunca havia sentido antes e que eu não sentiria nunca mais. Algumas coisas são únicas, assim como aquele momento. Apesar de eu não lembrar de muito, tenho aquele dia como um dos mais importantes da minha existência. Depois daquele momento, minha vida nunca mais foi a mesma. Foi por causa daquele dia que me tornei o que sou agora.

domingo, outubro 09, 2011

Presença

Ela havia afastado todos de sua vida. Interagia só com aqueles que tinha que interagis fosse por trabalho ou convivência diária, mas fora isso, todos que tentavam chegar perto, ela afastava. Não era rude, só queria ficar sozinha e não escondia isso de ninguém. Sentia-se solitária sim, mais quando rodeada de pessoas do que quando estava sozinha, apesar de o silêncio de sua casa quando nela apenas ela estava a incomodava. Mas ela sempre tinha maneiras de se distrair, fosse ouvindo música ou passando distraidamente os canais da televisão, ela raramente era consumida pela ociosidade de ficar parada vendo as horas passarem. A mente dela era ativa demais para que permitisse que isso acontecesse. Ela parou de se sentir sozinha um dia. Em meio a pessoas ela se sentia solitária como sempre, mas as horas diárias que passava só em casa passaram a ser tão vazias em uma tarde. Não havia um corpo com ela, mas sim uma presença. Ela começou a sentir essa presença uma vez ou outra e com o tempo ela se tornou mais presente. Ela não sabia quem era e nem o que queria, mas sentia que não era algo ruim, era só uma compania. A observava, cuidava dela quando ela dormia, a confortava quando estava triste. Tudo isso sem tocá-la, sem falar com ela. Tudo isso apenas por lhe fazer compania. E quanto tempo mais ela passava com essa presença, menos ela queria estar com pessoas de verdade. A presença não a fazia mal algum, enquanto estar com pessoas a fazia sentir que deveria estar longe de qualquer ser humano existente. E assim ela se mantinha. Cada vez mais longe de pessoas, cada vez mais sozinha com a presença, pois era isso que a fazia bem.

quinta-feira, outubro 06, 2011

Me perdi na escuridão

Me perdi na escuridão. Mas ainda estava claro quando comecei a andar. Passei por todos os lugares, todos aqueles lugares onde esperava te encontrar, te procurei, te esperei, mas você não estava em nenhum lugar. E eu andei. Continuei andando. Continuei te procurando até o dia acabar. Fui até lugares desconhecidos, lugares onde nunca achei que você poderia ir um dia, lugares onde achei que nunca te encontraria. As horas passaram. Meus pés doíam. E a escuridão me consumiu. Já não conseguia ver. Já não conseguia andar. Me perdi na escuridão, e você não estava lá para me salvar.

domingo, outubro 02, 2011

Caos

Palavras. Sons. Vozes. Pessoas falando e falando. Muita confusão. Bocas se movem e saem som delas. Muitas vozes ao mesmo tempo. Impossível entender. Palavras, palavras, caos, discussões, imagens, sentimentos, vontades... Tudo preso, gritando, querendo sair, bagunçando minha cabeça, brigando, desesperados, tentando falar ao mesmo tempo. Todos. Palavras. Gritos. Vozes. Confusão. Caos. Bagunça.

sábado, setembro 24, 2011

Tempestade

Quero uma tempestade. Quero ouvir o som da chuva batendo na minha janela enquanto me mantenho deitada em minha cama apreciando o barulho que cada gota produz. Ver os clarões de raios seguidos por fortes trovões. Colocar a cabeça para fora da janela e sentir a água gelada bater em minha pele como se cada gota purificasse minha pele. Quero o dia escuro como a noite. Vento forte assobiando nas frestas da casa. Temperatura caindo pela falta do calor do Sol. A água caindo fracionada do céu limpando casa centímetor em que toca. Quero uma chuva. Quero uma tempestade.

terça-feira, setembro 13, 2011

Solidão

O sentimento de solidão se mantinha presente nos últimos dias. Não importava o quanto acostumada ela estava, em certos momentos esse sentimento parecia sufocá-la. Mas ela fingia estar bem, tentava ignorar. Agia normalmente como em todos os dias de sua vida. Mas de noite, sozinha em seu quarto, com tantos pensamentos em mente, não conseguia pensar em ninguém com quem dividi-los. E mesmo com toda essa angústia, ela não reclamava, pois afinal, ela sabia que a culpa era dela, por sempre manter todos longe. Por sempre preferir ficar sozinha para não se ferir e/ou não correr o risco de machucar alguém ao seu redor.

domingo, agosto 21, 2011

Briquedo

É como um brinquedo em uma vitrine. Posso olhar, admirar. Posso entrar na loja e segurar a embalagem. Mas no final, por mais que eu queira, não posso ter o brinquedo, pois nunca vou ter como pagar por ele.

sábado, agosto 20, 2011

Chuva

A chuva caía lá fora. A televisão era mantida ligada para impedir que o silêncio consumisse o lugar. Nada a distraía. Nada a fazia bem. Não ali. Não naquele momento. Ela desejava algo. Uma coisa em específico. Mas mesmo que estivesse perto, de uma maneira, sempre se mantinha longe. Podia tocar mas nunca poderia ter. Já havia algum tempo que isso não a incomodava. Mas hoje, justo hoje, no segundo dia do tal período de 30 dias, isso a torturava. Consumia seus pensamentos lentamente enquanto ela se mantinha deitada de baixo das cobertas, acompanhada pelo som da televisão e das gotas de chuva que caíam lá fora.

sábado, julho 16, 2011

Solidão

Solidão não é ficar em casa sozinho. Solidão é estar no meio de pessoas, conhecidas ou não, e mesmo assim se sentir como se não pertencesse a aquele lugar. Solidão é estar em meio a pessoas queridas e sentir que não deveria estar ali. Solidão é pensar em tudo e todos que conhece e não se e perceber que você não se encaixa em nenhum lugar. Solidão é desejar estar nos braços de alguém e sentir que é lá que você deve estar, e pela primeira vez sentir que a solidão não existe, se sentir completo, sentir que finalmente pertence há algum lugar.

terça-feira, julho 05, 2011

Invisível

Sua cabeça rodava com tantos pensamentos contraditórios que naquele dia, resolveram aparecer para perturbar sua mente normalmente perturbada. Sentada à mesa do bar com os amigos, ouvindo-os contar suas anedotas que tiravam gargalhadas altas de vários integrantes da conversa, fazendo com que algumas vezes, pessoas que também frequentavam o lugar naquela noite os olhassem como se fossem a apresentação mais bizarra que já existiu. Uma palavra, um olhar ou um gesto, ela não sabia ao certo, mas algo desencadeou dentro dela uma tormenta de sentimentos que gritavam para serem ouvidos mesmo não existindo palavras que os explicassem. Em um movimento rápido, ela se levantou derrubando a cadeira em que sentara e chamando a atenção de todos no lugar, e sem nem ao menos olhar no rosto de ninguém, ela correu do bar, alcançando a rua e cortando a grande quantidade de pessoas que sempre estavam por aquelas bandas em noites de fim de semana. Ela correu, e correu em meio a multidão, até seus pulmões doerem e suas pernas ficarem bambas de cansaço e a obrigassem parar, fazendo-a cair de joelhos, cansada, ofegante, de cabeça baixa, com as mãos no chão apoiando o corpo que a pedia para deitar. Ela queria gritar, queria correr mais e sumir para sempre dali, queria que caísse uma pesada chuva que limpasse as lágrimas que corriam por seu rosto revelando toda sua dor contida que agora forçava saída de seu corpo. Ela esperava. Esperava que ele aparecesse e a segurasse em seus braços e sussurrasse em seu ouvido que tudo ficaria bem, que ele estava ali para ouvi-la e tentar ajudá-la. Mas ele não apareceu. Ela então se levantou, enxugou suas lágrimas na manga do casado e voltou ao bar. Todos de sua mesa continuavam ali conversando como antes. Ela pegou sua bolsa e foi embora. Ao sair pelo bar, ela olhou para a mesa novamente e ele continuava ali, conversando, sorrindo, se divertindo, como se nada tivesse acontecido, como se ela não existisse.

sábado, junho 25, 2011

Voz

E aquela voz continuava falando, às vezes gritando, tentando ser ouvida de qualquer maneira. E a maioria das vezes ela conseguia. Suas palavras ensurdecedoras invadiam a mente de quem a ouvia, e assim a pessoa caia, presa a seus pensamentos, suas dores, seus problemas, e quanto mais ela afundava mais a voz gritava, fazendo-a ver todos seus defeitos, todas suas falhas, fraquezas, inutilidades, e uma vez que a voz começasse a gritar, dificilmente haveria algo que a fizesse parar. E a pessoa que ouvia os gritos se mantinha deitada, caída, se afogando em suas próprias lágrimas, lutando para tentar levar oxigênio a seus pulmões, em meio a soluços e a um desespero crescente que aos poucos consumia toda força de vontade que poderia existir, até que em certo momento, seja por fraqueza ou cansaço, a pessoa mergulha em seu mundo particular de sonhos, o único lugar onde pode ser realmente quem é e ficar longe da voz que a persegue por todos os momentos da sua vida.

sábado, maio 21, 2011

Vende-se uma alma.

VENDE-SE UMA ALMA! Foi o que ela escreveu um dia de brincadeira em uma de suas redes sociais. O fim do mês estava chegando e com ele vinham as contas para as quais ela não tinha dinheiro para pagar. Ainda... Pouco tempo depois de ela ter escrito o anuncio de brincadeira, apareceu uma mensagem para ela de alguém perguntando o preço de sua alma e lógico que ela pensou ser uma brincadeira, mas como ela estava de bom humor ela decidiu responder e levar a tal brincadeira adiante. Enviou uma mensagem dizendo que aceitaria uma fortuna infinita e esperou por uma resposta. Enquanto ela esperava pela continuação da brincadeira, seu celular tocou e no visou aparecia que o número do telefone que ligava estava bloqueado. Ela atendeu mesmo assim, falando aquele ‘Alô’ que se diz quando não se sabe quem está do outro lado da linha.
- Olá, estou ligando por causa do anuncio da alma...
- Ta brincando comigo, né? Quem ta falando?
- Você não anunciou que está vendendo sua alma? Eu estou interessado em comprá-la e pago a quantia que você quiser. E não se preocupe, você continuará com a sua alma até o dia de sua morte, e só então pegarei nosso trato estará concluído.
- Olha cara, não sei como você conseguiu o meu número de telefone, mas essa brincadeira já foi longe demais.
E com isso, ela desligou o celular, jogou-o em um conto e continuou se entretendo com o computador. Nem cinco minutos se passaram, e a campainha tocou. Ela se levantou e foi atender o infeliz que a fazia levantar da confortável poltrona em que ela costumava passar horas e horas sentada. Abriu a porta e deu de cara com um homem usando terno preto e gravata vermelha, ambos de alta qualidade.
- Está mesmo interessada em vender sua alma?
Enquanto ele dizia isso, ela notava que seus olhos eram completamente negros com um estranho reflexo vermelho.
- Você não pode estar falando sério?
- Querida, eu estou aqui, na porta da sua casa e você nem ao menos me deu seu endereço. Ainda achas que estou de brincadeira? Se estiveres mesmo interessada em vender sua alma, deixe que eu entre e te explicarei os termos que envolvem nosso contrato.
Ela ficou uns segundos observando o estranho homem bem vestido que aparecera em sua porta e decidiu deixá-lo entrar. Conduziu-o até a sala onde ambos se sentaram à mesa. Ele abriu a valise que carregara e de dentro tirou uma série de papéis.
- O contrato funciona dessa forma: Dou-te o que quiseres e quando deixar essa vida, vossa alma passa a ser minha pela eternidade.
- Você me da o que eu quiser? Tipo qualquer coisa que eu deseje?
- Sim, o que desejares terá em troca de sua alma.
Ela se levantou pela cadeira e andou pela sala por uns minutos, tentando colocar seus pensamentos em ordem junto com a proposta que o homem acabara de oferecer. Sentou-se novamente em sua cadeira e olhou para o homem que passara esses minutos a observando.
- Então isso é sério mesmo? Se eu assinar esse contrato a minha alma passará a ser sua quando eu morrer e você vai me dar qualquer coisa que eu queira? E o que acontece com a minha alma? Vou passar a eternidade sendo torturada onde quer que você viva?
- Talvez sim, talvez não. Gostei de você, então dependendo de como levares sua vida depois de assinar o contrato podes levar uma vida não tão desprezível perto em meu reino.
Ela pegou o papel onde o contrato estava redigido e o fitou por um momento.
- Tem uma caneta?
O homem tirou uma caneta do bolso interior de seu paletó e a emprestou. Ela escreveu no contato deu desejo, assinou-o e o devolveu ao homem. Ele pegou o contrato, guardou-o em sua valise e desapareceu. No dia seguinte, tudo estava diferente. Ela estava onde queria e tinha o que queria. Continuou vivendo normalmente sem as dores de cabeça que a atormentavam antes de conhecer o estranho que aparecera em sua porta. E assim ela viveu, anos e anos, até o dia de sua morte, quando, depois de muitos anos, ela encontrou aquele homem novamente, e no reino dele, passou a eternidade.

sexta-feira, maio 20, 2011

San Francisco

San Francisco, USA. Uma das cidades que ela sempre quis visitar e depois de anos de muito esforço ela conseguiu a quantia necessária para realizar a viagem de seus sonhos. De malas prontas, ela entra no táxi a caminho do aeroporto. Faz o check-in, entra no avião e acomoda-se na poltrona ao lado da janela ansiosa com as horas de viagem que a separavam de seu destino. Finalmente depois de horas gastas em uso das duas baterias do laptop, palavras-cruzadas e admiração da vista que a janela oferecia, o avião pousou em terra firme. Malas pegas da esteira, hora de ir para o hotel. O pequeno trajeto de táxi do aeroporto ao hotel, mesmo estando de noite já a deixou estupefata. Já era tarde e a longa viagem a deixara bem cansada, então depois do check-in e de um breve jantar no hotel, ela resolveu recolher-se em seu leito lembrando de deixar o despertador do celular programado para despertar bem cedo, pois assim ela não perderia nenhum segundo do dia sequer. O Sol mal havia nascido e ela já saia de seu quarto para tomar café da manhã e explorar a cidade que tanto sonhara em conhecer. Nos dias que ficou na cidade, alugou um carro apenas para ter o prazer de dirigir pela ‘Lombard Street’, passou pela ‘Paited Ladies’ para ver as lindas casinhas em estilo vitoriano, visitou a ‘Coit Tower’ de onde pôde ver a cidade do alto e de uma maneira que antes nunca tinha imaginado. Conheceu a ‘Union Square’ e perto de lá embarcou em um dos tradicionais bondes puxados por cabos subterrâneos para ter a visão da cidade com um típico morador de San Francisco teria. Almoçou várias vezes no ‘Fisherman’s Wharf’, cada vez experimentando um restaurante diferente, sempre em uma mesa com vista para o mar onde saboreava a comida admirando o maravilhoso mar que banha San Francisco. Conheceu todos os pontos turísticos da cidade, esperando o dia perfeito para conhecer o lugar com o qual tanto sonhara. Último dia de viagem, e como os dias anteriores, ela acordara bem cedo para aproveitar os segundos que restavam naquela cidade que ela via como perfeita, mas antes de sair de sua suíte, deixara em cima da penteadeira um envelope. Como ela tanto desejava, o dia estava perfeito. Temperatura agradável, o Sol brilhava no céu em meio a algumas nuvens brancas como algodão que o faziam companhia. Nesse dia ela não usaria o carro. Devolveu-o à locadora e foi fazer seu passeio a pé. Seu destino era longe do hotel, mas ela não se importava, andar por aquelas ruas dava uma sensação diferente. No caminho, para passar o tempo ela visitou lojinhas, almoçou em um restaurantezinho escondido, mas com comida muito saborosa. O dia foi passando e chegava perto do fim da tarde, o momento que ela esperou para fazer o que tanto desejara. Foi até a ‘Golden Gate’. A visão daquela magnífica ponte vermelha cortando o mar, sustentada por cabos de aço foi o que ela tanto do desejara ver em sua vida. Caminhou pela calçada da ‘Golden Gate’ respirando o ar que vinha do mar, parando bem no meio da ponte para admirar a grandeza do mundo que a rodeava. Estava quase na hora do pôr do Sol agora, então ela andou até uma das torres de sustentação da ponte e sem que ninguém percebesse, subiu suas escadas até o topo e sentou na beirada com as pernas penduradas para fora para admirar o espetáculo que começara. Foi o pôr do Sol mais bonito que ela vira na vida. O Sol tocava o mar deixando o céu em tons alaranjados e rosas. Antes que o Sol se recolhesse por completo, ela levantou, deu um impulso e pulou. Horas depois, encontraram em seu quarto de hotel o envelope que deixara de manhã. Dentro havia um cheque para as despesas do hotel e uma carta explicando o que fazer com seus pertences.
No final, tudo o que ela queria era um dia perfeito, e com seus próprios esforços, ela conseguiu e decidiu mantê-lo como seu último.

quinta-feira, maio 05, 2011

Amor?

Amor... O que seria isso afinal? Uma palavra? Um sentimento? Uma Ilusão? Um estado de mente e de espírito que faz uma pessoa sentir e pensar de maneira distorcida sobre algo ou alguém. Parei de usar essa palavra. Às vezes chega um certo ponto da vida que ela perde o sentido. Não mais digo que amo, pois também não possuo mais esse sentimento. Já amei sim. Já amei alguém, já amei algo, mas o coração também caleja, e enfrentamos a decisão de querer continuar sentindo, sofrendo ou abrir mão disso. Acho que minha decisão já está óbvia para muitos. Amar para que se junto vem a dor? Um dia, no futuro, talvez, mas agora eu não quero. Agora, amor não passa de uma ilusão que vem acompanhada de dor e sofrimento.

segunda-feira, abril 25, 2011

Existindo...

Eu poderia admitir aos sete ventos que tenho um problema, mas na verdade já admiti isso a mim mesma há muito tempo. Eu poderia tentar e levantar e continuar lutando, mas baixei minhas armas por vontade própria, não tenho mais vontade. Seria mais fácil entrar no mar e nadar até meus braços cansarem, ou simplesmente deitar nos trilhos do trem e esperar ele passar. Mas não, ao invés disso eu continuo aqui. Consumindo oxgênio e expelindo gás carbônico. Ocupando espaço. Existindo. Deixando as horas passarem até que para mim elas finalmente parem e eu consiga minha paz eterna.

quinta-feira, abril 21, 2011

Lago

Todos os dias ele saia para dar uma volta no parque. Passava pelo lago e pelos bancos que se encontravam por todo o caminho e todos os dias ela a via ali, sentada em um banco, observando a calma água do lago com um olhar parado e inexpressivo. Sempre que ele a via, tentava imaginar o porquê de ela estar sempre ali sozinha, no mesmo lugar olhando para o lago. Um dia, ao vê-la enquanto fazia sua caminhada habitual resolveu se aproximar para falar com ela. Sentou no banco ao seu lado e por um momento não fez nada além de observar o lago como ela fazia até sentir que deveria falar.
- Sempre que a vejo nesse mesmo banco, sozinha, concentrada no lago me pergunto o porquê de todos os dias você estar aqui. Espero não estar invadindo sua privacidade, mas apenas hoje tive a coragem de perguntar. Por que está sempre aqui?
- Estou esperando. – Ela disse quase em um sussurro sem tirar seus olhos do lago.
- Se não se importa que eu pergunte, esperando por alguém? Esperando por algo? – Ele perguntou olhando para ela.
- Esperando algo. – Ela respondeu ainda sem se mover.
- Posso perguntar o que seria?
- A morte.
Nesse momento, pela primeira vez ele viu ela se mexer. Ela virou o rosto ainda inexpressivo enquanto falava e olhou em seus olhos. Os olhos dela eram vazios, sem brilho, sem vida. Ele ficou impressionado com o olhar intenso dela e também sem saber o que dizer após sua resposta. Ela abaixou o olhar, se levantou e foi embora andando lentamente pelo caminho contrário de onde ele viera. Ele a observou partir por um tempo e depois contemplou as águas do lago como ela costumava fazer. Levantou-se e ao invés de terminar sua caminhada, voltou para casa para continuar seu dia. Depois desse dia, ele nunca mais a viu.

Pain

Today, no single soul can ease my pain.

quarta-feira, abril 13, 2011

Jane.

Noite de final de semana, bom, na verdade, madrugada. Já passava da uma da manhã quando Jane e Kate decidiram sair para se divertir. Saíram da casa dos pais de Kate andando pelas ruas escuras vazias que ficavam entre elas e a praia. Não era lá muito seguro, mas era o único caminho que elas tinham e elas já estavam de saco cheio de ficar em casa. Elas foram andando, conversando, Jane com uma garrafa de cerveja na mão da qual Kate bebia uns goles de vez em quando. Em meio a conversas elas foram surpreendidas por um cara.
- Passa o celular! - Ele disse.
- Que? - Jane disse.
- Anda logo, as duas. Passa o celular?
- Celular, meu querido? Você acha que a gente é idiota para sair na rua a essa hora com celular?
- Tá tirando uma com a minha cara, garota? Melhor você ficar quietinha e passar logo o aparelho se não eu mato você e sua amiguinha.
Nessa hora, ele tirou uma arma das costas e apontou-a para Jane.
- Peraí, moço, - disse Kate - a gente está sem nada! Só temos uns trocados!
- Ah é? Então quer dizer que duas meninas como vocês saem de casa sem celular e sem dinheiro? Vocês não me enganam! Passem logo tudo o que vocês tem nos bolsos que eu vou embora! Anda logo, se não aperto o gatilho!
Kate começou a tirar o que tinha do bolso para dar ao assaltante.
- O que você quis dizer com 'duas meninas como vocês'? - Jane perguntou.
- O que? Porque você está me perguntando isso? E anda logo, passa tudo o que você tem nos bolsos.
- Só quero saber! Já que você vai levar os poucos trocados que tenho, não custa nada responder minha pergunta.
O assaltante já impaciente se aproximou de Jane e encostou a arma na barriga dela.
- Duas meninas gostosinhas como vocês andando por aí no meio da noite, sem nenhum homem e nenhum meio de comunicação. Vocês só devem estar atrás de problema mesmo.
- Então você nos acha gostosas? - Nesse momento, Jane aproximou o rosto do ouvido do assaltante e sussurrou - Quem sabe a gente não pode resolver esse nosso impasse então. Nós três em um lugar reservado...
E enquanto Jane falava, sua mão direita brincava pela perna do rapaz. Ele foi lentamente baixando a mão que segurava a arma sem acreditar no que estava acontecendo. Kate olhava toda a cena espantada sem imaginar o que sua amiga pretendia. Jane começou lentamente a aproximar seus lábios dos lábios do assaltante, e com um movimento rápido, ela tirou a arma da mão dele seguindo esse ato com um chute na virilha do cara. O assaltante deu uns passos para trás e caiu ajoelhado na calçada no mesmo momento em que Kate gritava sem acreditar no que via. Jane apontou a arma para a cabeça do assaltante e ele a olhava com lágrimas nos olhos pela dor que sentia.
- Levanta. - Jane disse.
O assaltante obedeceu.
- Agora corre.
- Quê?
- Corre ou eu atiro.
O assaltante virou as costas e correu para bem longe do lugar onde tudo acontecera. Kate, ainda incrédula, se mantinha parada, boquiaberta, olhando para Jane com a arma na mão. Jane abaixou a arma e começou a caminhar.
- Vamos? - Jane disse como se nada tivesse acontecido.
- O que você vai fazer com essa arma? - Kate perguntou timidamente enquanto seguia Jane uns passos atrás olhando para a mão da amiga.
- Vou guardá-la.
- Jane...
- Eu sempre quis ter uma arma.

sábado, abril 09, 2011

Resistência - Capítulo 7

Todo mundo sempre criticou meu carrinho velho. Falavam que estava ultrapassado, que um dia ele ia me deixar na mão e que eu deveria comprará um carro novo. Mas eu não ligava. Sempre ignorava esse tipo de comentário e continuava andando por aí com meu carrinho antigo diferente das modernidades que os outros usavam. Pensando nisso agora da até vontade de rir de todos que criticavam meu Passat GTS Pointer, porque quando os carros de todo mundo parou de funcionar por causa da tecnologia dos 'amigos' que vieram de longe, todo mundo ficou querendo fugir no meu carrinho comigo. Lógico, levei umas pessoas comigo, meu dois colegas que dividiam a casa comigo, e o resto do espaço do carro foi usado para carregar roupas e suprimentos. É, tudo estava tão caótico a esse ponto que todos estavam desesperados para fugir da cidade em busca de um lugar seguro, se é que um lugar seguro existia. Foi extremamente difícil deixar a cidade. Primeiro por que as ruas estavam lotadas de carros modernos que possuíam computadores de bordo, e a tecnologia daqueles seres impedia que esses carros modernos funcionasse. Segundo porque quando as pessoas viam que meu carro funcionava, tentavam desesperadamente uma madeira de tirá-lo de mim e de meus amigos. E terceiro porque conseguir combustível a princípio se tornara um ato bem difícil, mas conforme avançávamos em nossa viagem os obstáculos foram ficando cada vez mais fáceis até que sumiram quase por completo. Ao alcançarmos a estrada era mais fácil desviar dos poucos carros que apareciam, não haviam pessoas desesperadas pelo caminho e o combustível nós roubávamos de carros abandonados quando precisávamos. O problema se tornou: 'Onde ir?'. Não tínhamos ideia de um lugar que pudesse ser seguro o bastante para podermos nos manter pelo menos por um tempo. Por um tempo nos mantíamos acampando durante a noite em locais afastados das estradas e revezando a vigilância do acampamento durante a noite e de dia, revezávamos quem dirigia, sempre tentando manter a descrição. Naquele tempo, ser descoberto por humanos ou qualquer outra criatura poderia comprometer nossa sobrevivência. Conseguimos nos manter assim por um tempo, até que nossos suprimentos começaram a chegar em um nível crítico e não tivemos outra opção se não deixarmos a estrada e entrarmos em alguma cidade a procura de algum mercado abandonado para roubarmos a comida que precisávamos. Parecia uma missão fácil, mas estávamos a tanto tempo longe da massa da humanidade que não imaginávamos o que poderíamos encontrar. Seres humanos podem ser civilizados, mas infelizmente, nossa raça também pode ser impiedosa quando se trata de sua própria sobrevivência, e com tudo que estava acontecendo, aprendi isso da pior forma.

quinta-feira, abril 07, 2011

Só um corpo, nada mais.

De todos esses eu não quero nenhum. Mas não fico parada. Meu corpo se envolve sem minha mente se importar, e no dia seguinte tudo é esquecido como se tivesse sido criado pela minha imaginação. Mas não me importo com isso, com nada disso. É só um corpo, nada mais.

Vento, céu e estrada.

O céu estava lindo aquela noite. Sem nuvens, uma grande Lua cheia e as poucas estrelas que conseguiam sobressair entre as luzes da cidade. Não resisti e fui até o quarto. Coloquei meus jeans, uma blusa qualquer, minha jaqueta e bota de couro, peguei as chaves e saí. Na rua, uma brisa agradável. Mas brisa para mim era pouco. Eu queria mais. Subi na minha moto, dei a partida e saí sem rumo. Éramos só eu, o vento, o céu e a estrada, e afinal, era só isso que eu precisava. Eu não pensava onde ía, apenas seguia a estrada ignorando os limites de velocidade e aproveitando cada curva que aparecia. Acabei achando uma estradinha pelo caminho e a segui sem ter idéia de onde me levaria. Fomos descendo eu e a moto como se fôssemos uma até chegarmos a uma praia bem pequena que parecia ter sido esquecido pela humanidade. Dessa vez era o mar que me chamava. Mas não para nadar em suas águas, mas para contemplar sua beleza. Estacionei e comecei a caminhar pela areia solta. Encontrei um tronco velho e sentei-me nele para poder olhar as ondas do mar indo e vindo em seu ciclo contínuo e incansável. A única iluminação ali era da Lua e as estrelas, que aqui apareciam em montes de maneira que era até difícil de identificar as constelações. Acabei adormecendo ali. Deitada na areia, ouvindo o som do mar e sendo observada pelas estrelas. Despertei com o Sol forte que brilhava na manhã seguinte, fazendo com que o mar reluzisse com todo seu esplendor. E mais uma vez a estrada parecia convidativa. Bati a areia da minha roupa, subi em minha moto e continuei em frente. Sempre em frente sem nunca olhar para trás. Deixando tudo no passado e eu e minha moto vivendo apenas de vento, céu e estrada. Pois afinal, era só o que eu precisava.

segunda-feira, abril 04, 2011

End

Tudo escureceu depois daquela noticia. Parecia que uma avalanche havia ocorrido arrastando tudo ‘agradável’ que estava no caminho deixando para trás apenas destruição. Em sua mente, parecia como o Tsunami que recentemente aconteceu no Japão. Mas isso, em sua mente. Tudo estava destruído. Tudo quebrado, estraçalhado, inutilizável. Era como sempre acontecia. Quando as coisas estavam calmas, sempre aparecem as ondas gigantes para levar, com elas tudo que fazia da vida aceitável. A música que ela mais ouvia ultimamente continuava a tocar repetidamente – ‘Dead end kids in a danger zone’ – era a única coisa que ela conseguia ouvir em um dia como esse. O mundo continuava normal lá fora. Chuvoso com estava naqueles dias, temperatura agradável, mas não o frio que ela tanto desejava. Chovia... Parava... E o ciclo se repetia. Quem a visse naquele momento pensaria que ela era apenas uma garota que tinha a tão sorte de trabalhar em casa no conforto de sua cama. Mas não era assim. Aquele era seu último dia de trabalho, e as contas que viriam a seguir a levavam a um alto nível de preocupação. Na verdade não eram as contas que a afligiam, mas a certeza de que quando tudo viesse à tona ela iria cair em um poço de escuridão profunda sem expectativas de escapatória. Mas era o que ela desejava agora. Não, ela não sentia desespero, só estava cansada de passar por tudo aquilo repetidamente – ‘If I don’t wake up from this dream I think I’m gonna die’ – e apesar de estar acostumada, ela não queria mais aquilo. Mas onde estava a coragem? Isso era o que faltava para ela todos os dias, todos os segundos em que ela sentia que deveria tomar a mais definitiva decisão de sua vida. Era o lugar em que ela morava, e ela sabia disso. Sempre que ela ficava longe dali, longe daquelas pessoas a mente dela clareava, ficava mais aberta, mais receptiva, perceptiva. Mas ela estava presa a aquele lugar. Por mais que às vezes ela se distanciava, as correntes puxavam-na de volta a seu local de escuridão. Tudo com o que ela sonhou um dia não era nada mais que lembranças, torturas mentais que a atormentavam constantemente. Ela desejava esquecer tudo e todos. Sumir daquela casa, daquela cidade e ir para um lugar completamente desconhecido para começar sua vida do zero sem nunca se envolver com ninguém mais que o necessário. Para que pessoas na vida, afinal? Elas só machucavam, causavam danos, tiravam dela o que precisavam e depois iam embora sem ao menos um ‘adeus’. ‘It´s so sad and crazy here, I think I’m gonna cry’. Os sons da bateria da música a ensurdeciam nesse ponto, mas ela não parava. Em meio a lágrimas seus dedos dançavam pelas teclas do computador transformando pensamentos em palavras que nunca seriam entendidas por alma sequer. Mais um riff de guitarra e ela aumentara o volume da música desejando poder cantá-la com todo seu fôlego para espantar toda a dor que lentamente consumia sua mente. Apenas a mente, mas não seu corpo, como ela tanto desejava. ‘All the pain that I feel makes me feel mean’. Ela desejava sangue. Seu próprio sangue espirrado pelas paredes, escorrendo pelo chão, fazendo uma poça do mais lindo tom de vermelho existente. Porque se preocupar com os outros se os outros não se preocupam com ela? “Alguém sentiria sua falta” – Frase que ela sempre ouvia quando comentava seus mais profundos desejos. “Mas e daí?” – Ela pensava. Vale a pena continuar sofrendo apenas porque existe uma mínima possibilidade de alguém sentir minha falta? Saudade não passa de um sentimento imaginário de pessoas que preferem viver relembrando o passado a aproveitar o presente. E, não existia nenhuma prova de que alguém iria realmente notar a diferença dela estar ou não ali. ‘Justice, justice, don’t want your law and order’. Mas e a coragem, onde estava? Onde ela conseguiria os remedis necessários para aquilo? Onde ela conseguiria uma arma? É, ela tinha preferência pela arma, por todos os benefícios que ela traria. Seria difícil apertar o gatilho, mas no fim, seria rápido e indolor. Seu sangue pintaria o quarto e seu corpo cairia no chão em uma dramática forma cinematográfica que traumatizaria quem a encontrasse. Isso que ela queria. Eficiente, rápido, indolor e ainda a beneficiaria mesmo depois da morte. No final, os que lessem o que ela escrevera ficariam chocados, espantados em como alguém como ela tenha chego a tal ato extremo. Mas é fácil julgar quando não se passa por tudo que o julgado passa. Alguns são fortes, outros são fracos. E é na categoria dos fracos que ela se encaixa, pois nem coragem para o fim ela tem, independente de seu grande desejo. No fim, tudo que ela fez foi continuar deitada chorando, digitando, ouvindo música e deixando os segundos passarem. Uma hora isso seria amenizado, mascarado por mais uma mentira, e ela aproveitaria essa mentira, mas sempre sabendo que uma hora ou outra a máscara irá cair e toda a dor voltará com mais força que antes, até que um dia tudo finalmente acabe.

domingo, março 20, 2011

Horas

Deixo as horas passarem odiando cada segundo.
Preferiria dormir em um pesadelo do que viver minha vida.

segunda-feira, março 07, 2011

Filhos da Noite - Capítulo 1, O Nascimento

Sabe quando está tudo uma porcaria? Quando você se sente na completa merda? É, é meio nesse estado que eu estava quando tudo aconteceu. Depois de ter passado semana após semana mofando em casa sem fazer nada de produtivo e revezando a minha atenção entre a televisão e o computador (isso sem contar às vezes em que eu usava o computador enquanto assistia televisão) eu senti certa noite que precisava de um pouco de ar puro. Ou um pouco de poluição recém saída dos escapamentos, já que moro em uma cidade e ar puro é praticamente impossível de se achar por aqui. Saí de casa em direção à praia. Andei um pouco pelo calçadão e depois sentei em um banco para olhar o mar e as poucas estrelas que conseguiam aparecer em meio às luzes da civilização. Estava tão distraída que não vi quando ele sentou ao meu lado. Um cara até que bonito. Cabelos curtos e castanhos escuro, usava jeans e uma camisa social coberta por uma interessante jaqueta surrada. Ele começou a falar, mas não era assunto tipo “conversa de fila de super mercado”, na verdade o que ele falava era até interessante, e convenhamos, se eu, a “Sra.-Odeio-Falar-Com-Estranhos, estou falando isso, pode ter certeza que ele realmente dizia algo que merecia a minha atenção. Acabei me perdendo em suas palavras inteligentes, e assim que ele me olhou, me hipnotizei com seu olhar profundo e intrigante. Não sei ao certo como aconteceu, mas quando percebi estávamos envolvidos em um longo beijo. Não conseguia entender como a pele dele podia ser tão fria mesmo estando coberta pela pesada jaqueta em uma noite quente de verão. Me deixei ser levada pelo momento, e senti algo arranhando a pele do meu pescoço. Uma dor se veio seguida de um prazer inexplicável. Era como eletricidade passando por todo meu corpo, e então, tudo escureceu. E isso é tudo que consigo lembrar daquela noite.


Não sei que horas eram, mas acordei como se estivesse de ressaca apesar de não lembrar de ter bebido álcool na noite anterior. Abri os olhos percebi que não estava na minha casa. Apesar de o quarto estar em completa escuridão, eu conseguia enxergar muito bem. Era meio como usar aqueles óculos para visão noturna, só que eu conseguia ver as cores de tudo, mas em menos intensidade do que se estivesse com alguma luz acesa. Me levantei e senti meu corpo doer. Quarto estranho e escuro, ressaca, dor, a primeira coisa que me veio à cabeça foi: sequestro. Corri até a porta sentindo o estômago reclamar de fome e só aí eu percebi o gosto estranho de ferro na minha boca. Abri a porta com cuidado, mas a maçaneta acabou saindo na minha mão. “Talvez ela já estivesse quebrada antes”, eu pensei. A luz do corredor atingiu meus olhos com ferocidade. Olhei para fora do quarto e como não vi ninguém, saí bem devagar me esgueirando pelas paredes e cantos tentando não fazer nenhum barulho. Desci as escadas para uma ampla sala bem mobiliada e equipada com bastante tecnologia. Bom, fazendo a contagem: uma casa com andares, mobílias caras, televisões e computadores de última linha, ta bem, não era um sequestro, mas eu continuava sem entender como eu tinha ido parar naquele lugar, mas ainda assim, eu sentia uma grande necessidade de sair dali o mais rápido possível. Corri em direção à porta, mas no meio do caminho um cheiro chamou a minha atenção, e quando eu percebi meus pés me levavam na direção de onde o aroma vinha. Acabei chegando na cozinha, onde encontrei, em cima da bancada uma caneca. Nem pensei em ver o que tinha dentro, apenas a peguei e bebi o líquido. Acho que nunca havia bebido algo tão gostoso antes. A textura, o sabor e o aroma, tudo em uma combinação perfeita de algo que eu não conseguia descobrir o que era, mas que me levava ao mais alto êxtase de satisfação. Mal eu sabia que aquela maravilhosa bebida seria a única coisa com a qual eu me alimentaria pelo resto de minha existência. A bebida descia quente pela minha garganta e parecia fluir pelo meu corpo. O prazer era tão grande que não percebi quando ele chegou perto de mim. E quando digo “ele”, me refiro ao mesmo cara bonito de jaqueta surrada que tinha sentado ao meu lado no banco da praia na noite anterior, só que agora ele não usava mais a jaqueta e a camisa estava aberta mostrando seu físico digamos que, admirável. Ele não parecia ameaçador, mas eu não conseguia me sentir a vontade estando na casa de uma pessoa que eu havia conhecido na noite anterior e que eu tinha acabado de lembrar, eu não sabia seu nome.
- Sabe, a primeira vez que você se alimenta você nunca esquece... – Ele disse me olhando com curiosidade.
- O que você quer dizer com isso? – Eu disse intrigada com o que ele tinha acabado de dizer.
- Como você está se sentindo? – Ele perguntou ignorando a minha pergunta.
- Quem é você e porque eu estou aqui com você? – Eu perguntei sem responder sua pergunta.
- Só achei que seria melhor você vir pra cá do que ficar em qualquer outro lugar e passar por tudo isso sozinha. Sabe, não é uma experiência muito legal se você não tem quem te explique toda a situação.
- Situação?
- É, sabe mudanças não são fáceis, ainda mais quando você não sabe pelo que esperar.
- Quer parar de enrolar e me dizer logo que merda está acontecendo aqui?
- Hum... Acho melhor você se alimentar mais um pouco antes da gente falar sobre isso. – E dizendo isso, ele pegou a caneca da minha mão, foi até a geladeira, a encheu mais com o líquido mágico e a colocou para esquentar por uns segundos no microondas. Enquanto a caneca rodava na bandeja do aparelho ele me olhava de uma maneira intrigante e divertida, como se me achasse engraçada ou algo assim.
- Quem é você afinal? – Eu perguntei na mesma hora que o microondas apitava avisando o final do processo.
- Creio que isto não seja importante por hora. Pegue. – Ele disse me dando a caneca com o líquido recém esquentado. – Beba devagar! Eu sei que você está com fome, mas não faz bem se alimentar com pressa. Sente-se, temos muito sobre o que conversar. – E dizendo isso ele apontou para uma banqueta e nos sentamos cada um de um lado da ilha no meio da cozinha. Pensando bem, acho que foi uma boa maneira de começar minha nova vida. Pensando bem, tudo isso poderia ter sido bem traumático se tivesse acontecido de outra maneira.


- O que? – Eu não podia acreditar no que ele estava me dizendo. Aquilo tudo só podia ser uma brincadeira! Era impossível que fosse verdade. – Ah, ta legal. Você vai ficar inventando estórias, tudo bem então. – E falando isso eu me levantei e andei em direção à saída.
- Se eu fosse você eu não sairia... Sabe, ainda tem muito que você precisa aprender, e passar por isso sozinha não é uma boa idéia. Você ainda não tem noção do que pode fazer agora que nasceu novamente.
- Nasci novamente? Quem você acha que é, um médico que me salvou de uma situação de quase morte? Por favor, pare de besteiras e me deixe ir embora!
- Infelizmente não posso fazer isso. Olha, eu sei que tudo isso parece loucura, tudo está diferente para você agora e eu sei como isso pode ser assustador, mas com o tempo eu garanto que você vai aceitar a realidade e vai me deixar ajudá-la.
Me sentei na banqueta novamente ao ouvir o que ele dissera. Realmente tudo estava diferente. Eu me sentia diferente. Mais forte, mais inteligente, mas mesmo depois de ter ouvido a explicação, eu não conseguia entender porque aquilo estava acontecendo comigo. Porque eu? Eu tinha tantas coisas na minha cabeça que nem conseguia falar. As palavras zuniam no meu cérebro formando tantas perguntas que eu nem sabia por onde começar.
- Está mais calma? – Ele perguntou depois de eu ter ficado tanto tempo em silêncio. – Ainda está com fome?
Acenei a cabeça positivamente e então ele se levantou para esquentar mais alimento para mim. Depois de canecas e mais canecas do líquido maravilhoso acompanhadas pela conversa mais estranha que eu tive na vinha vida eu finalmente me senti satisfeita. Tantas coisas haviam acontecido que eu ainda estava tonta com a quantidade de informações novas. Mal eu sabia que ainda teria muito que aprender sobre essa nova vida. Depois de beber cada gota que havia na caneca, a abaixei e acabei batendo com ela na bancada com força demais e ela acabou se despedaçando na minha mão.
- Tudo bem, então... O que fazemos agora?
- Bom, já está amanhecendo, então eu aconselho que você volte a seu quarto descanse bastante, e dependendo de como se sentir amanhã, nós começaremos com seus aprendizados. – E dizendo isso ele se levantou sinalizando a porta da cozinha para a sala. – Vamos? Vou te mostrar suas acomodações.
Me levantei e o segui pela casa. Subimos as escadas e chegamos a um quarto no andar de cima, o mesmo quarto em que eu tinha acordado.
- Creio que já conheça um pouco do quarto.
- Bem, na verdade eu não prestei atenção antes... – Eu disse. Na verdade eu não tinha nem olhado pro quarto. Tudo que eu pensava quando eu acordei, era em uma maneira de sair dali o mais rápido possível. Mas agora que as luzes estavam acesas e eu estava bem alimentada e calma, pude ver que o quarto era muito bonito. Móveis em madeira escura e tecidos da colcha e das cortinas em seda nas cores vinho e champagne. Uma linda e enorme cama com docel com cortinas combinando com a decoração e um maravilhoso colchão de molas e travesseiros de penas para completar. Em um armário antigo que combinava perfeitamente com o resto do quarto, e dentro tinha umas peças de roupas para eu vestir.
- Você que decorou o quarto? – Perguntei por curiosidade.
- Foi.
- E o resto da casa?
- Também, por quê?
- Nada... Só acho estranho um homem com um senso de decoração tão bom.
Ele olhou para mim girando os olhos. Não pude deixar de rir de uma reação tão humana quanto aquela.
- Bom, se já parou de gracinha, vou deixá-la para que descanse. Durma bem, Eliza!
- Hey, como você sabe meu nome?
E ignorando minha pergunta, ele saiu do quarto e fechou a porta que continuava com a maçaneta quebrada. Fui até o grande banheiro branco anexado ao meu quarto, tomei uma ducha rápida e me vesti com um pijama que encontrei no armário, que por acaso, servia perfeitamente em mim. Deitei na cama e me enfiei de baixo do maravilhoso edredom de penas de ganso. Esse cara podia ser estranho, mas ele definitivamente sabia como criar um quarto com perfeição. Mesmo com muita coisa na mente, assim que me aconcheguei, meu corpo relaxou, meus olhos ficaram pesados e dormi quase que imediatamente. Agora, só restava esperar pelo dia, quero dizer, pela noite seguinte.

domingo, março 06, 2011

Resistência - Capítulo 6

"Encontrada nova espécie de réptil!". Foi isso que eu li uma manhã em um site de notícias que eu acessava todos os dias para saber os acontecimentos do mundo. Biólogos em algum lugar no mundo que não lembro onde era, encontraram um tipo de animal que lembrava bastante um dinossaurinho, meio que um T-Rex, só que com coluna mais erecta, focinho menor e braços funcionais ao invés dos bracinhos atrofiados que sempre víamos nos filmes de dinossauros. Eles eram pequenos, em média com 20 centímetros de altura, mas pareciam ser bem agressivos. Aparentemente, a semelhança com os Tiranousauro Rex não a única ligação que o lagartinho tinha com dinossauro extinto. Pesquisas foram feitas com o animalzinho e foi descoberto que ele era o que seria a evolução do T-Rex até os dias de hoje. Pequenos, porém ferozes. Pelo que os biólogos observaram, o lagarto, que foi apelidado como Mini-Rex costuma caçar em grupo, mata sua presa sem piedade e as vezes começa a comê-la antes mesmo dela estar morta, o Mini-Rex também se alimenta de carcaças de animais quando não há por perto nenhuma opção viva. Perceberam que eu escrevi algumas palavras aí no presente? É, esses animaizinhos ainda estão por aí, e descobrimos que ele não é uma espécie terrestre genuína. Esses Rexizinhos foram implantados na Terra como mais um instrumento de destruição. Os espécimes encontrados pelos biólogos foram os primeiros registrados pelos humanos, mas pouco tempo depois, começaram a aparecer mais dinossaurinhos em todos os cantos do planeta. Eles não apenas se alimentam de carne, mas também de planta e são altamente tóxicos. Foi descoberto em algum momento do grande caos que esses animaizinhos demarcavam terreno com suas substâncias tóxicas (que atá agora não foram identificadas pelos cientistas) deixando o solo envenenado e impróprio para plantação, e eles também envenenavam animais e pessoas com mordidas e um ferrão que foi descoberto na ponta de sua cauda. Eu sei, parece coisa inventada, e eu mesma não acreditei no que eu lia e ouvia até vê-los com meus próprios olhos. Em poucos meses a Terra já estava infestada dessas criaturinhas. Fazendas foram destrudías, perdeu-se muito gado. A essa altura, o mundo já estava quase em desespero total. Não bastava o que havia acontecido antes, agora todas nossas fontes de alimentos também estava afetada. Conheci pessoas que chegaram a tão elevado nível de pânico que elas não aguentaram e cometeram suicídio. Pessoas andavam armadas agora. Tudo era motivo de brigas, em todos os lugares haviam confusões. Começava a batalha pela sobrevivência. E os que resistissem teriam que aprender nessa longa guerra por muitos anos a vir.

quarta-feira, março 02, 2011

Amor? Amizade?

"Ainda bem que o twitter registra followers e não friends, porque se fosse friends minha contagem seria 0."
Uma das frases que eu twittei hoje... E porque twittei isso? Simplemente porque não consigo entender como hoje em dia é fácil conseguir esse título de amigo. Hoje em dia, duas pessoas mal se conhecem e já se chamam de amigo, mas será que elas realmente sabem o que é amizade? O mesmo acontece com a palavra amor. Hoje em dia é fácil ver e ouvir declarações de amor sendo jogadas ao vento, e é tanto usada que está perdendo o sentido. Parei de usar essa palavra. Não saio mais por aí dizendo que amo as pessoas. Não estou querendo ofender ninguém com isso, só acho que para dizer que se ama alguém tem que realmente sentir isso e não confundir carinho, amizade ou alguma outra coisa como amor. E vou começar a fazer a mesma coisa com o cargo de amigo. Não vou chamar qualquer um de amigo. Não é só porque conheço alguém, porque eu já tenha saído com alguém que essa pessoa é minha amiga. Para haver amizade, junto tem que existir confiança, companheirismo. Não é só porque uma pessoa entorna umas cervejas com você no fim de semana que ela pode ser sua amiga. Tenho muitos colegas, muitos conhecidos, mas na minha vida toda, nos meus 23 anos de vida, cheguei à conclusão de que tive 13 amigos. Pessoas em quem eu confiava, pessoas com quem eu podia contar a qualquer hora. Não sei se é triste que tenham sido apenas 13. Não sei se tive sorte por terem sido 13. Não sei se é um número grande ou pequeno, mas essas 13 pessoas passaram pela minha vida e deixaram suas marcas, e algumas delas ainda fazem parte da minha vida, mesmo à distância. E digo sem dúvida alguma, essas pessoas foram/são meus amigos e eu os amo/amei.

terça-feira, março 01, 2011

Ruína

O dia pode ter amanhecido ensolarado. Tudo estava bem até aquele momento. Uma palavra, uma memória... Algo aconteceu... Algo foi lembrado... E esse algo desencadeou tudo que ela guardava, tudo que ela sentia. O Sol podia continuar brilhando lá fora, mas pra ela era como se aquele brilho representasse o toda sua ruína. Todos na rua, despreocupados, aproveitando o bom dia com aqueles que gostam. Todos lá fora... Sempre lá fora e ela do lado de dentro. Por opção, falta de opção, uma junção dos dois que sempre resolviam trabalhar em conjunto para confundir mais sua mente. Aquela dor tão conhecida insistia em voltar nos piores momentos... E as vezes também nos melhores, os estragando e deixando-a no chão por onde todos passavam mas não a viam. E a dor só aumentava. Ela se sentia sufocada, apesar do oxigênio passar pelo seu corpo sem nenhuma obstrução. Ela sentia um peso sobre seu peito. Sua cabeça rodava e a visão turva pelas lágrimas só pioravam a situação. Nada fazia aquilo melhorar. Nada poderia ajudá-la naquele momento. A dor cada vez maior a fazia ficar deitadacom todo tipo de pensamento pela mente. Solidão, desespero... Seu futuro não passava de uma mancha preta a sua frente. Ela não via nada. E um pensamento insistia em voltar à sua mente. 'Porque não?', ela pensava. E apesar do veneno e a garrafa de vodka em sua mão, ela não conseguia. A solução para sua dor estava bem ali, mas ela apenas não agia. Covardia... Às vezes a covardia ataca quandoa coragem é mais necessária.

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Resistência - Capítulo 5

O mundo mudou muito durante os anos. Não, não estou falando de quando tudo aconteceu até agora, mas em geral, o mundo mudou muito. A princípio não existia nada, depois as bactérias evoluíram, vieram os animais marinhos, mais evoluções e vieram os dinossauros, caiu o grande meteoro na terra que modificou também muita coisa, animais evoluíram novamente em novas espécies, veio a era do gelo, e os animais continuaram resistindo de uma forma ou outra com o passar do tempo sempre evoluindo e criando novas espécies até que chegamos ao que somos hoje. Eu particularmente não acredito que tenhamos vindo dos macacos, pois se assim fosse as outras espécies de macacos também teriam evoluído para outras espécies de humanos. Eu acredito que existia uma espécie primitiva de humano que conforme suas necessidades fui aprendendo e criando até virar o que somos hoje. Antes de tudo acontecer, dizia-se que por sua inteligência, o ser humano seria capaz de sobreviver a tudo, sempre criando maneiras de se proteger dos perigos e superar as adversidades. Mas eu acho que os humanos ficaram muito dependentes de suas criações. Carros, televisões, computadores, celulares, ar condicionados e tudo mais que foi criado para facilitar a vida das pessoas. Com tanta facilidade, as pessoas desaprenderam a viver com pouco, desaprenderam a fazer as coisas com suas próprias mãos. Também faço parte desse grupo de humanos dependentes. Sinto falta da minha casa confortável com televisão e recepção a cabo, internet, filmes, músicas e muitas outras comodidades que agora não passam de apenas lembranças. E mesmo com tudo que o humano criou, com toda o conhecimento que ele adquiriu, é desconcertante ver como fomos afectados sem ao menos nos defender. Com tantos filmes famosos que víamos, sempre esperamos que eles viessem com suas naves gigantescas explodindo os maiores centros do mundo e exigindo falar com o líder do planeta. Ok, os filmes eram legais, eu particularmente sempre gostei de ver a cena da Casa Branca explodindo, sempre achei um efeito especial extraordinário, e eu também ficava com raiva toda vez que aquela personagem dizia que eles era de paz sempre, se fazendo de boazinha fingindo ajudar os humanos mas na verdade planejando tomar a terra. Mas no final tudo aquilo não passava de um roteiro criado por escritores que queriam impressionar os expectadores. Só que o que aconteceu não foi nada como o visto na televisão ou nos cinemas. Foi tudo muito sutil, foi tudo muito bem planejado visando as fraquezas do ser humano. E como os humanos não ligam para coisas pequenas, com o ser humano não consegue fazer a conexão entre coisas distintas, ele foi pego como uma mosca que se distrai e cai na teia de uma aranha. Não posso dizer que todos aprenderam com o acontecido, mas pelo menos eu acho que aprendi.

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Nada

E todos os dias continuavam a passar cheios de suas 24 horas vazias, preenchidas por pensamentos que seriam no segundo seguinte esquecidos, mas de tempos em tempos ela lembrava que no fim nada importava, no fim, ela não era nada.

Fim do dia

E no final do dia tudo que terá sobrado será o quarto frio e a cama vazia...

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Resistência - Capítulo 4

Sabe como todo mundo vive sem esperar esperar que se descubra uma nova espécie de animal, planta ou uma nova doença? É simplesmente difícil e acreditar que em um mundo tão desenvolvido e populoso ainda não se tenha descobrido tudo existente. Mas o ser humano é curioso e só para de descobrir novas coisas quando seus membros não consegue mais se mover. Ainda mais com o caos que o mundo estava era difícil imaginar que alguém estivesse se preocupando com algo além de sobreviver as adversidades que não paravam de aparecer. Mas mesmo assim, como se já não bastasse as doenças que continuavam matando pessoas, surgiu um novo vírus estanho que começava com uma leve tontura e ia evoluindo para dores de cabeça, enjoo, dores no corpo e os sintomas iam piorando conforme a evolução da doença até chegar em casos de paradas respiratórias e hemorragias, o que causava mais muitas outras mortes, e por mais que os médicos tentassem, nenhum deles conseguia descobrir a raiz da doença e nem evitar que os que a contraíam morressem. O máximo que eles conseguiam era amenizar o sofrimento dos pacientes com drogas fortes e as vezes até induzindo coma. Essa nova doença, juntado com a alta da criminalidade, o frio repentino e a falta de preparação da humanidade para enfrentar problemas graves e repentinos começou a afectar as pessoas. Não apenas elas evitavam sair de casa, mas agora começavam a aparecer casos de pessoas surtando em pânico e até focos de cultos relacionados ao fim do mundo. Vários falsos videntes começaram a aparecer na televisão fazendo profecias de apocalipse enquanto por outro lado, religiões maldosas prometiam salvação para aqueles que frequentassem suas igrejas e lhe ofertassem dinheiro. E mais uma vez, mesmo em tempo de crise, provou-se que existem pessoas prontas para tirar proveito de pessoas mais ingênuas e desesperadas.

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Resistência - Capítulo 3

Imaginem que um dia vocês estejam eu um lugar muito, muito quente e sem menos esperar, do nada, fica extremamente frio. Bom, foi isso que aconteceu na cidade onde eu morava. Em uma noite muito quente eu fui dormir com o ar condicionado e o ventilador ligados - é, só o AC não dava conta do calor que estava fazendo - e demorava bastante mas sempre em alguma hora da noite o quarto ficava com uma temperatura bem agradável, o que me fazia ficar sem a mínima vontade de enfrentar o forno que fazia do lado de fora. Pois bem, fui dormir com o AC e o ventilador ligados no máximo e me surpreendi de ter acordado no meio da noite tremendo incontrolávelmente de frio. Tive que levantar da cama para desligar os aparelhos e não sei o porque, mas resolvi dar uma olhada pela janela e não pude acreditar no que via. Tudo estava branco do lado de fora, mal dava para perceber que o que eu via era o meu jardim. Fiquei tão espantada com a imagem que saí para ver direito o que aquilo era. Mesmo que eu imaginasse o que fosse, até antes daquele dia eu acharia que seria impossível de acontecer onde eu morava. E eu não estava errada. Quando saí pela porta da cozinha senti um vento gelado e percebi que aquela grossa camada branca no meu jardim era realmente neve. Eu nunca tinha visto neve antes, então não resisti e corri para sentir como era. E eu não era a única a fazer isso. Eu podia ouvir várias vozes pela vizinhança exclamando de surpresa com esse fenômeno da natureza que até aquele dia nunca tinha acontecido ali antes. O frio repentino foi bem vindo para todos, mesmo ninguém estando preparado ou acostumado a baixas temperaturas, mas a nevasca também trouxe problemas. Nossa cidade ficava em um país tropical, então nenhuma construção estava preparada para aguentar frio rigoroso, e foi aí que começaram os problemas com água congelada nos encanamentos, ruas bloqueadas pela neve, pessoas presas em lugares fechados, fora os casos de hiportemia que aconteciam com a pessoas que não se agasalhavam propriamente. O frio também agravou o estado médico de todas as pessoas que já estavam doentes antes, e assim como o calor, matou muitas pessoas. Em todos os noticiários apareciam meteorologistas com explicações ilógicas para a nevasca repentina, mas para mim, era como se a natureza havia finalmente decidido se vingar por todos os anos de sofrimento que a humanidade a fez passar.

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Resistência - Capítulo 2

Eu não sei se tem alguém lendo essa história, e se estiverem lendo, eu não tenho como saber se vocês são humanos ou não, mas antes que comecem a se perguntar ou até mesmo que tentem, não tem como rastrear o IP desse blog. Sabe, a sorte que eu tive é que o lugar onde eu estou, além de ter computadores e internet, também tenho vários - digamos que - entendedores de tecnologia, então por mais que tentem, garanto que ninguém aí fora vai conseguir descobrir onde estamos, independente de quão avançada seja a tecnologia que estejam usando. Mas voltando a história...
Eu comentei das bolinhas que achei pela minha casa em uma manhã, bom, aquela não foi a única ocasião que vi as bolinhas. Acontece que elas não apareceram apenas na minha casa, mas em todos os lugares. Eu cheguei a encontrar umas em uma das gavetas da minha mesa no trabalho, mas o que eu achei estranho é que umas estavam abertas como pequenos ovinhos e elas eram ocas por dentro. Bom, para mim elas eram apenas bolinhas, então só as joguei no lixo da mesma maneira que tinha feito com as que eu encontrara em casa. Só que eu não sabia que em todos os lugares as pessoas estavam achando bolinhas abertas e agindo da mesma forma que eu agi. Poucos dias depois começaram a ter surtos de doenças em todo lugar. Só que não era só uma doença. Algumas pessoas ficavam seriamente gripadas, outras tinham dores pelo corpo, outras pareciam ter intoxicação alimentar, e não havia nada que os médicos conseguissem fazer para curar essas pessoa. Elas só ficavam cada vez piores de suas doenças e muito poucas conseguiam se recuperar completamente, e as poucas que conseguiram ficavam com algumas sequelas. As doenças pioraram também. Começaram a aparecer muitos casos estranhos de câncer em muitas pessoas ao mesmo tempo. Pode parecer besteira, mas o calor junto com a secae os surtos de doenças começou a provocar uma certa mudança nas pessoas e até teve um aumento na violência em geral. As pessoas evitavam sair nas ruas sem necessidade e a noite tudo era tão deserto que parecia uma cidade abandonada. Eu mesma só saía de casa a trabalho e mesmo assim, sempre acompanhada de alguém e de preferência, semre de carro. Acho que foi nessa época que eu percebi pela primeira vez como os seres humanos podem ser afetados com facilidade.

domingo, fevereiro 13, 2011

Resistência - Capítulo 1

Devem estar se perguntando o porque de eu estar perdendo meu tempo escrevendo sobre isso aqui, afinal todos nós vimos o que aconteceu com o mundo, mas a verdade é que onde eu estou não se tem muito o que fazer e então resolvi documentar essa nova fase do planeta para qualquer um que sobreviva a todo esse caos. Bom, mas vamos voltar a história.
Tudo aconteceu de maneira muito sorrateira e acho que naquela época era impossível qualquer pessoa fazer conexão entre os acontecimentos. Mas pelo que eu me lembre, algumas semanas depois das bolinhas veio o calor. Um calor insuportável caiu sobre a cidade onde eu morava. Não sei se o mundo inteiro sofreu esse mesmo aumento de temperatura mas onde eu morava todos reclamavam do inferno que estava fazendo. Era impossível sair nas ruas sem suar e nenhum ar condicionado estava dando conta. Não tinha brisa, não tinha nuvem, não tinha chuva, era apenas o Sol escaldante todos os dias fritando os cérebros dos que precisavam sair dos lugares fechados. E de noite não melhorava. Parecia que o calor se acumulava nas paredes fazendo qualquer lugar ficar irritantemente abafado. Em seguida veio a seca. Com tanto calor que estava fazendo, todos tentavam se resfrescar usando água. Acho que as piscinas nunca foram tanto usadas como naquela época. Lá em casa a solução foi comprarmos uma daquelas piscinas de plástico para montarmos no quintal, mas tivemos que por um tolto em cima dela, porque o Sol era tão forte que esquentava a água. E com tanto uso de água junto com a falta de chuva, toda a cidade teve que começar a racionar. Era proibido encher piscinas e regar gramados e todos eram recomendados a apenas um banho por dia sendo este de cinco minutos ou menos. Várias pessoas passaram muito mal nessa época. Ficavam desidratadas, com pressão baixa.. Os hospitais tiveram muito trabalho e mesmo os médicos fazendo o o possível, muitas pessoas morreram por causa do calor. E assim começou a lenta diminuição da população mundial.

Resistência - Introdução

A princípio eu achei umas bolinhas pelo chão enquanto eu varria minha casa em uma manhã. Eram pequenas e pareciam miçangas, mas não tinham furinhos e eram de um transparente meio fosco. Eu perguntei para o pessoal em casa mas ninguém sabia o que era. As bolinhas pareciam ter simplesmente surgido por aí. Mas tudo bem, continuei varrendo a casa e as joguei no lixo, afinal não pareciam ter nenhuma utilidade e como tudo que é jogado no lixo, cinco minutos depois eu esqueci completamente delas. O dia continuou normal como sempre. Saí para o trabalho, fiz minhas tarefas, almocei com meus amigos do escritório, esse tipo de coisa que se faz diariamente e nem damos importância. Agora, tanto tempo depois, eu penso naquele dia e fico tentando imaginar o que eu teria feito se soubesse o que eram aquelas bolinhas. Queria ter tomado uma providência melhor do que apenas jogá-las no lixo. Mas fazer o que... Nós, seres humanos somos tão cegos com as pequenas coisas da vida que deixamos passar despercebido coisas que podem mudar um mundo.

sábado, fevereiro 05, 2011

Vingança

Vestindo jeans, All Star e jaqueta de couro, com passos orgulhosos, ela saiu pela porta da frente carregando uma grande mochila nas costas. Em uma mão, um violão dentro de uma case, na outra, uma caixa de fósforos. Ao chegar na esquina ocorre uma grande explosão no lugar de onde ela saiu. Estilhaços voavam pelo céu, as pessoas saiam nas portas e janelas para verem o que tinha acontecido, mas todo esse caos não a afetava. Ela apenas continuou andando, virou a esquina e seguiu seu caminho. Esse era só o começo de sua vingança. Um caminhão de bombeiros passou a toda velocidade entrando na contra-mão e tendo dificuldade para entrar na rua estreita onde a explosão acontecera. Já era a terceira rua esquina que ela virava, mas a distância não impediu que o som da segunda e maior explosão fosse ouvida com perfeição. Ela acendeu um cigarro e continuou caminhando devagar como se não houvesse nada de errado. Chegou a seu segundo destino. Parou em frente a um grande carro, um jipe moderno. Tirou o canivete do bolso e só por prazer riscou o toda a extensão do carro. Após fazer isso, ela colocou a mochila no chão e de dentro tirou uma garrafa. Colocou novamente a mochila nas costas e despejou o líquido no chão e em cima do carro. Voltou a seguir seu caminho deixando um rastro de líquido ainda por uns metros. Jogou a garrafa no chão, virou as costas e voltou a andar jogando a ponta do cigarro por cima do ombro. A brasa caiu em cima do líquido provocando uma chama que seguiu pelo rastro atingindo o carro o incendiando. Ela continuou andando e depois de um tempo a terceira explosão do dia aconteceu, e novamente, não causou nenhum efeito nela. Chegou a uma loja de artigos orientais. Entrou, pegou uma katana, deu meia volta e saiu como se o objeto pertencesse anteriormente a ela. Os funcionários a viram saindo com a espada, mas não ousaram impedir. O que ela levava na cintura era intimidante para que qualquer que pensasse em a enfrentar. Chegou a seu terceiro destino. O lugar onde ela sabia que encontraria todos os moradores da casa que explodira. Apoiou o violão em uma parede e ao seu lado, sua mochila. Em uma mão, ela tinha a katana agora fora de sua bainha e na outra, uma Desert Eagle completamente carregada e pronta para ser usada. Dois tiros no chão e ela conseguiu chamar a atenção de todos presentes. Medo e pânico podia ser visto nos rostos das pessoas no recinto. Do chão, a arma passou a ser apontada para as pessoas. Tiros certeiros atingiam braços e pernas, deixando as pessoas feridas mas incapazes de fugir. Mas isso foi apenas o começo da diversão. A Eagle voltou para a cintura e agora o brinquedo era a espada. Manejada com prática e precisão, ela cortava o ar arrancando cabeças e outros membros. Agora havia sangue respingado por toda sua roupa, mas isso era como uma droga para ela. Ao ver o cenário que montara, seu corpo entrava em êxtase de prazer. Do bolso da calça de um dos corpos, ela pegou as chaves de um carro e aproveitou também uma parte da blusa desse corpo para tirar o sangue que cobria toda a lâmina da espada. Guardou-a em sua bainha, colocou mochila nas costas e carregando o violão saiu do lugar. Entrou no carro correspondente as chaves, acomodou seus pertences no banco do carona, ligou o motor e partiu para uma nova jornada.

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Insignificante

Sua existência se torna mais insignificante para mim a cada dia que se passa. Isso só prova como você foi apenas mais uma alma que passou sem deixar rastros pela minha vida.

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Deterioração

Continuem vocês deteriorando suas vidas, destruindo seus corpos que eu permanecerei aqui, assistindo de camarote esperando que vocês caiam para então eu poder reinar em cima de suas carcaças.

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Pôr do Sol

O Sol se punha quase tocando a água na linha do horizonte fazendo com que o céu adquirisse tons impossíveis de descrever. Na margem do lago podia-se ver uma garota sentada na terra batida encostada em uma árvore, abraçando suas pernas e observando as nuances que a natureza apresentava. Brisas leves faziam com que seus cabelos dançassem levemente imitando o movimento dos galhos das árvores que a rodeavam. Tudo o que se ouvia era a música do silêncio de uma floresta no começo de mais uma noite. Brilhos hipnotizantes das estrelas que formavam desenhos no céu eram vistos agora. O tempo passava devagar e tudo continuava calmo e pacífico até o Sol raiar novamente e a próxima noite cair.

Sorrir

Mesmo depois de tudo eu ainda tenho motivos para sorrir.

Seres humanos

Seres humanos são naturalmente egoístas.

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Inconsistent Personality

"You are a person prone to bouts of self-examination. This is in sharp contrast to a striking ability you have developed to appear very socially engaged, even the life and soul of the party; but in a way that only convinces others. You are all too aware of it being a façade. This means that you will often be at a gathering and find yourself playing a part. While on the one hand you’ll be talkative and funny, you’ll be detaching yourself to the point where you will find yourself watching everything going on around you and feeling utterly unable to engage. You’ll play conversations back to yourself in your head and wonder what that person really meant when he said such-and-such — conversations that other people wouldn’t give a second thought to. How have you learned to deal with this conflict? Through exercising control. You like to show a calm, self-assured fluid kind of stability (but because this is self-consciously created, it will create bouts of frustrated silliness and a delight in extremes, or at least a delight in being seen to be extreme). You most easily recognise this control in how you are with people around you. You have learned to protect yourself by keeping people at bay. Because in the past you have learned to be disappointed by people (and because there were issues with you adjusting to your sexuality), you instinctively keep people at arms’ length, until you decide they are allowed over that magic line into your group of close friends. However, once across that line, the problem is that an emotional dependency kicks in which leaves you feeling very hurt or rejected if it appears that they have betrayed that status. Because you are prone to self-examination, you will be aware of these traits. However, you are unusually able to examine even that self-examination, which means that you have become concerned about what the real you is. You have become all too aware of façades, of sides of yourself which you present to the world, and you wonder if you have lost touch with the real and spontaneous you. You are very creative, and have tried different avenues to utilize that ability. It may not be that you specifically, say, paint; it may be that your creativity shows itself in more subtle ways, but you will certainly find yourself having vivid and well-formed ideas which others will find hard to grasp. You set high standards for yourself, though, and in many ways are a bit of a perfectionist. The problem is, though, that it means you often don’t get stuff done, because you are frustrated by the idea of mediocrity and are wearied by the idea of starting something afresh. However, once your brain is engaged you’ll find yourself sailing. Very much this will likely lead to you having considered writing a novel or some such, but a fear that you won’t be able to achieve quite what you want stops you from getting on with it. But you have a real vision for things, which others fall short of. Particularly in your academic/college situation, you are currently fighting against restraints upon your desire to express yourself freely. Your relationship with your parents (there is a suggestion that one is no longer around, or at least emotionally absent) is under some strain. You wish to remain fond of them but recent issues are causing frustration – from your side far more than theirs. In fact they seem unaware of your thoughts on the matter. Partly this is because there are ways in which you have been made to feel isolated from certain groups in the past – something of an outsider. Now what is happening is that you are taking that outsider role and defending it to the point of consciously avoiding being part of a group. This will serve you well in your creative and career pursuits. You have an enormous cynicism towards those who prefer to be part of a group or who exhibit any cliquey behaviour, and you always feel a pang of disappointment when you see your ‘close’ friends seeming to follow that route. Deep down it feels like rejection. However, for all that introspection, you have developed a sensational, dry sense of humour that makes connections quickly and wittily and will leave you making jokes that go right over the heads of others. You delight in it so much that you’ll often rehearse jokes or amusing voices to yourself in order to ’spontaneously’ impress others with them. But this is a healthy desire to impress, and although you hate catching yourself at it, it’s nothing to be so worried about. There’s also an odd feeling that you should have been born in a different century. You might be able to make more sense of that than I can. There are some strong monetary shifts taking place at the moment. Both the recent past and what’s in store over the next few months represent quite a change. You have links at the moment with people abroad, which are quite interesting, and will look to yield worthwhile results. You’re naturally a little disorganized. A look around your living space would show a box of photos, unorganised into albums, out-of-date medicines, broken items not thrown out, and notes to yourself which are significantly out of date. Something related to this is that you lack motivation. Because you’re resourceful and talented enough to be pretty successful when you put your mind to things, this encourages you to procrastinate and put them off. Equally, you’ve given up dreams a little easily when your mind flitted elsewhere. There are in your home signs of an excursion into playing a musical instrument, which you have since abandoned, or are finding yourself less interested in. (This may alternatively relate to poetry and creative writing you’ve briefly tried your hand at and left behind you.) You have a real capacity for deciding that such-and-such a thing (or so-and-so a person) will be the be all and end all of everything and be with you for ever. But you’d rather try and fail, and swing from one extreme to the other, than settle for the little that you see others content with. Conclusion: It’s very interesting doing your reading, as you do present something of a conundrum, which won’t surprise you. You are certainly bright, but unusually open to life’s possibilities – something not normally found among achieving people. I’d say you’d do well to be less self-absorbed, as it tends to distance you a little, and to relinquish some of the control you exercise when you present that stylized version of yourself to others. You could let people in a little more, but I am aware that there is a darkness you feel you should hide (much of this is in the personal/relationship/sexual area, and is related to a neediness which you don’t like). You really have an appealing personality – genuinely. Many thanks for doing this, and for offering something far more substantial than most."

This wasn't written by me, but it's surprisingly right.

terça-feira, janeiro 25, 2011

Vingança

Minha vingânça agora vai ser tratar certas pessoas como elas me tratam! Vamos ver se elas aguentam!

quarta-feira, janeiro 19, 2011

Perdoem-me

Perdoem-me por existir...

Sumam

Vocês, com seus sorrisos brilhantes e traiçoeiros não me enganam mais. Suas máscaras interesseiras caíram e com isso pude ver suas verdadeiras faces. Não me venham mais com suas mentiras, agora elas são apenas brisas que passam despercebidas. Apenas esqueçam tudo. Esqueçam minha existência porque eu farei o mesmo com vocês.

domingo, janeiro 02, 2011

Latas e garrafas

Latas e garrafas passavam pelas mãos dela naquela noite, e todas eram dispensadas vazias alguns minutos depois. Ela não se importava com o mal que aquilo faria horas depois, ela não se importava com nada, com mais nada. Falava com todos que conhecia, sempre com bom humor e um sorriso no rosto, escondendo tudo o que pensava e sentia como sempre fez, até que em certa hora o gatilho foi acionado. Ela tinha uma coisa em mente, mas mesmo seu desejo de auto-destruição a impedia de agir. Foi uma pena ela não estar em um lugar alto aquela noite, a queda teria sido a coisa mais divertida que ela teria feito. Após algumas trocas de palavras com pessoas conhecidas, ela sentou no canteiro do jardim permitindo então que toda aquela bebida fizesse efeito em sua mente como sempre acontece quando dela excede seus limites. As lágrimas vieram trazendo com elas todo o peso de uma vida. Toda a dor que ela carregava agora era despejada nos ombros de um velho amigo. Alguns conhecidos paravam para perguntar se tudo estava bem, mas a preocupação alheia para ela soava como uma brisa passageira que logo é esquecida. Ela se deitou na grama esperando que a tontura passasse ou pelo menos diminuísse. Algum tempo depois, lhe passaram um telefone, e ela falou com a pessoa que estava na outra linha, mentindo que estava tudo bem. Começaram a falar em levá-la em casa, mas ela nem ao menos conseguia ficar sentada e levantar, mesmo com auxílio, lhe parecia algo impossível de se fazer. Seu corpo estava tão relaxado e confortável naquela grama que dentro dela não existia a mínima vontade de sair de lá. Tudo que ela queria naquele momento era permanecer deitada, sozinha no meio da multidão sentindo as singelas gotas de chuva que ocasionalmente caiam em seu rosto. Finalmente, depois de muita insistência, conseguiram que ela levantasse e a acompanharam até o carro de um amigo que a levaria para casa. Ela se despediu de quem a carregava, entrou no carro explicando ao motorista que caminho ele deveria seguir. Ela se despediu com um sorriso programado no rosto, saltou do carro e entrou em casa indo direto para sua devida cama. O dia amanheceu e como esperado, ela acordou sentindo todos os sintomas da noite que havia passado. Ela se desculpou por seus atos com as poucas pessoas que possui contato, mas a verdade é que ela não se importava. Seu único arrependimento era ter sobrevivido a aquela noite.