domingo, outubro 09, 2011

Presença

Ela havia afastado todos de sua vida. Interagia só com aqueles que tinha que interagis fosse por trabalho ou convivência diária, mas fora isso, todos que tentavam chegar perto, ela afastava. Não era rude, só queria ficar sozinha e não escondia isso de ninguém. Sentia-se solitária sim, mais quando rodeada de pessoas do que quando estava sozinha, apesar de o silêncio de sua casa quando nela apenas ela estava a incomodava. Mas ela sempre tinha maneiras de se distrair, fosse ouvindo música ou passando distraidamente os canais da televisão, ela raramente era consumida pela ociosidade de ficar parada vendo as horas passarem. A mente dela era ativa demais para que permitisse que isso acontecesse. Ela parou de se sentir sozinha um dia. Em meio a pessoas ela se sentia solitária como sempre, mas as horas diárias que passava só em casa passaram a ser tão vazias em uma tarde. Não havia um corpo com ela, mas sim uma presença. Ela começou a sentir essa presença uma vez ou outra e com o tempo ela se tornou mais presente. Ela não sabia quem era e nem o que queria, mas sentia que não era algo ruim, era só uma compania. A observava, cuidava dela quando ela dormia, a confortava quando estava triste. Tudo isso sem tocá-la, sem falar com ela. Tudo isso apenas por lhe fazer compania. E quanto tempo mais ela passava com essa presença, menos ela queria estar com pessoas de verdade. A presença não a fazia mal algum, enquanto estar com pessoas a fazia sentir que deveria estar longe de qualquer ser humano existente. E assim ela se mantinha. Cada vez mais longe de pessoas, cada vez mais sozinha com a presença, pois era isso que a fazia bem.

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