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sábado, abril 09, 2011
Resistência - Capítulo 7
Todo mundo sempre criticou meu carrinho velho. Falavam que estava ultrapassado, que um dia ele ia me deixar na mão e que eu deveria comprará um carro novo. Mas eu não ligava. Sempre ignorava esse tipo de comentário e continuava andando por aí com meu carrinho antigo diferente das modernidades que os outros usavam. Pensando nisso agora da até vontade de rir de todos que criticavam meu Passat GTS Pointer, porque quando os carros de todo mundo parou de funcionar por causa da tecnologia dos 'amigos' que vieram de longe, todo mundo ficou querendo fugir no meu carrinho comigo. Lógico, levei umas pessoas comigo, meu dois colegas que dividiam a casa comigo, e o resto do espaço do carro foi usado para carregar roupas e suprimentos. É, tudo estava tão caótico a esse ponto que todos estavam desesperados para fugir da cidade em busca de um lugar seguro, se é que um lugar seguro existia. Foi extremamente difícil deixar a cidade. Primeiro por que as ruas estavam lotadas de carros modernos que possuíam computadores de bordo, e a tecnologia daqueles seres impedia que esses carros modernos funcionasse. Segundo porque quando as pessoas viam que meu carro funcionava, tentavam desesperadamente uma madeira de tirá-lo de mim e de meus amigos. E terceiro porque conseguir combustível a princípio se tornara um ato bem difícil, mas conforme avançávamos em nossa viagem os obstáculos foram ficando cada vez mais fáceis até que sumiram quase por completo. Ao alcançarmos a estrada era mais fácil desviar dos poucos carros que apareciam, não haviam pessoas desesperadas pelo caminho e o combustível nós roubávamos de carros abandonados quando precisávamos. O problema se tornou: 'Onde ir?'. Não tínhamos ideia de um lugar que pudesse ser seguro o bastante para podermos nos manter pelo menos por um tempo. Por um tempo nos mantíamos acampando durante a noite em locais afastados das estradas e revezando a vigilância do acampamento durante a noite e de dia, revezávamos quem dirigia, sempre tentando manter a descrição. Naquele tempo, ser descoberto por humanos ou qualquer outra criatura poderia comprometer nossa sobrevivência. Conseguimos nos manter assim por um tempo, até que nossos suprimentos começaram a chegar em um nível crítico e não tivemos outra opção se não deixarmos a estrada e entrarmos em alguma cidade a procura de algum mercado abandonado para roubarmos a comida que precisávamos. Parecia uma missão fácil, mas estávamos a tanto tempo longe da massa da humanidade que não imaginávamos o que poderíamos encontrar. Seres humanos podem ser civilizados, mas infelizmente, nossa raça também pode ser impiedosa quando se trata de sua própria sobrevivência, e com tudo que estava acontecendo, aprendi isso da pior forma.
domingo, março 06, 2011
Resistência - Capítulo 6
"Encontrada nova espécie de réptil!". Foi isso que eu li uma manhã em um site de notícias que eu acessava todos os dias para saber os acontecimentos do mundo. Biólogos em algum lugar no mundo que não lembro onde era, encontraram um tipo de animal que lembrava bastante um dinossaurinho, meio que um T-Rex, só que com coluna mais erecta, focinho menor e braços funcionais ao invés dos bracinhos atrofiados que sempre víamos nos filmes de dinossauros. Eles eram pequenos, em média com 20 centímetros de altura, mas pareciam ser bem agressivos. Aparentemente, a semelhança com os Tiranousauro Rex não a única ligação que o lagartinho tinha com dinossauro extinto. Pesquisas foram feitas com o animalzinho e foi descoberto que ele era o que seria a evolução do T-Rex até os dias de hoje. Pequenos, porém ferozes. Pelo que os biólogos observaram, o lagarto, que foi apelidado como Mini-Rex costuma caçar em grupo, mata sua presa sem piedade e as vezes começa a comê-la antes mesmo dela estar morta, o Mini-Rex também se alimenta de carcaças de animais quando não há por perto nenhuma opção viva. Perceberam que eu escrevi algumas palavras aí no presente? É, esses animaizinhos ainda estão por aí, e descobrimos que ele não é uma espécie terrestre genuína. Esses Rexizinhos foram implantados na Terra como mais um instrumento de destruição. Os espécimes encontrados pelos biólogos foram os primeiros registrados pelos humanos, mas pouco tempo depois, começaram a aparecer mais dinossaurinhos em todos os cantos do planeta. Eles não apenas se alimentam de carne, mas também de planta e são altamente tóxicos. Foi descoberto em algum momento do grande caos que esses animaizinhos demarcavam terreno com suas substâncias tóxicas (que atá agora não foram identificadas pelos cientistas) deixando o solo envenenado e impróprio para plantação, e eles também envenenavam animais e pessoas com mordidas e um ferrão que foi descoberto na ponta de sua cauda. Eu sei, parece coisa inventada, e eu mesma não acreditei no que eu lia e ouvia até vê-los com meus próprios olhos. Em poucos meses a Terra já estava infestada dessas criaturinhas. Fazendas foram destrudías, perdeu-se muito gado. A essa altura, o mundo já estava quase em desespero total. Não bastava o que havia acontecido antes, agora todas nossas fontes de alimentos também estava afetada. Conheci pessoas que chegaram a tão elevado nível de pânico que elas não aguentaram e cometeram suicídio. Pessoas andavam armadas agora. Tudo era motivo de brigas, em todos os lugares haviam confusões. Começava a batalha pela sobrevivência. E os que resistissem teriam que aprender nessa longa guerra por muitos anos a vir.
sexta-feira, fevereiro 25, 2011
Resistência - Capítulo 5
O mundo mudou muito durante os anos. Não, não estou falando de quando tudo aconteceu até agora, mas em geral, o mundo mudou muito. A princípio não existia nada, depois as bactérias evoluíram, vieram os animais marinhos, mais evoluções e vieram os dinossauros, caiu o grande meteoro na terra que modificou também muita coisa, animais evoluíram novamente em novas espécies, veio a era do gelo, e os animais continuaram resistindo de uma forma ou outra com o passar do tempo sempre evoluindo e criando novas espécies até que chegamos ao que somos hoje. Eu particularmente não acredito que tenhamos vindo dos macacos, pois se assim fosse as outras espécies de macacos também teriam evoluído para outras espécies de humanos. Eu acredito que existia uma espécie primitiva de humano que conforme suas necessidades fui aprendendo e criando até virar o que somos hoje. Antes de tudo acontecer, dizia-se que por sua inteligência, o ser humano seria capaz de sobreviver a tudo, sempre criando maneiras de se proteger dos perigos e superar as adversidades. Mas eu acho que os humanos ficaram muito dependentes de suas criações. Carros, televisões, computadores, celulares, ar condicionados e tudo mais que foi criado para facilitar a vida das pessoas. Com tanta facilidade, as pessoas desaprenderam a viver com pouco, desaprenderam a fazer as coisas com suas próprias mãos. Também faço parte desse grupo de humanos dependentes. Sinto falta da minha casa confortável com televisão e recepção a cabo, internet, filmes, músicas e muitas outras comodidades que agora não passam de apenas lembranças. E mesmo com tudo que o humano criou, com toda o conhecimento que ele adquiriu, é desconcertante ver como fomos afectados sem ao menos nos defender. Com tantos filmes famosos que víamos, sempre esperamos que eles viessem com suas naves gigantescas explodindo os maiores centros do mundo e exigindo falar com o líder do planeta. Ok, os filmes eram legais, eu particularmente sempre gostei de ver a cena da Casa Branca explodindo, sempre achei um efeito especial extraordinário, e eu também ficava com raiva toda vez que aquela personagem dizia que eles era de paz sempre, se fazendo de boazinha fingindo ajudar os humanos mas na verdade planejando tomar a terra. Mas no final tudo aquilo não passava de um roteiro criado por escritores que queriam impressionar os expectadores. Só que o que aconteceu não foi nada como o visto na televisão ou nos cinemas. Foi tudo muito sutil, foi tudo muito bem planejado visando as fraquezas do ser humano. E como os humanos não ligam para coisas pequenas, com o ser humano não consegue fazer a conexão entre coisas distintas, ele foi pego como uma mosca que se distrai e cai na teia de uma aranha. Não posso dizer que todos aprenderam com o acontecido, mas pelo menos eu acho que aprendi.
quinta-feira, fevereiro 17, 2011
Resistência - Capítulo 4
Sabe como todo mundo vive sem esperar esperar que se descubra uma nova espécie de animal, planta ou uma nova doença? É simplesmente difícil e acreditar que em um mundo tão desenvolvido e populoso ainda não se tenha descobrido tudo existente. Mas o ser humano é curioso e só para de descobrir novas coisas quando seus membros não consegue mais se mover. Ainda mais com o caos que o mundo estava era difícil imaginar que alguém estivesse se preocupando com algo além de sobreviver as adversidades que não paravam de aparecer. Mas mesmo assim, como se já não bastasse as doenças que continuavam matando pessoas, surgiu um novo vírus estanho que começava com uma leve tontura e ia evoluindo para dores de cabeça, enjoo, dores no corpo e os sintomas iam piorando conforme a evolução da doença até chegar em casos de paradas respiratórias e hemorragias, o que causava mais muitas outras mortes, e por mais que os médicos tentassem, nenhum deles conseguia descobrir a raiz da doença e nem evitar que os que a contraíam morressem. O máximo que eles conseguiam era amenizar o sofrimento dos pacientes com drogas fortes e as vezes até induzindo coma. Essa nova doença, juntado com a alta da criminalidade, o frio repentino e a falta de preparação da humanidade para enfrentar problemas graves e repentinos começou a afectar as pessoas. Não apenas elas evitavam sair de casa, mas agora começavam a aparecer casos de pessoas surtando em pânico e até focos de cultos relacionados ao fim do mundo. Vários falsos videntes começaram a aparecer na televisão fazendo profecias de apocalipse enquanto por outro lado, religiões maldosas prometiam salvação para aqueles que frequentassem suas igrejas e lhe ofertassem dinheiro. E mais uma vez, mesmo em tempo de crise, provou-se que existem pessoas prontas para tirar proveito de pessoas mais ingênuas e desesperadas.
terça-feira, fevereiro 15, 2011
Resistência - Capítulo 3
Imaginem que um dia vocês estejam eu um lugar muito, muito quente e sem menos esperar, do nada, fica extremamente frio. Bom, foi isso que aconteceu na cidade onde eu morava. Em uma noite muito quente eu fui dormir com o ar condicionado e o ventilador ligados - é, só o AC não dava conta do calor que estava fazendo - e demorava bastante mas sempre em alguma hora da noite o quarto ficava com uma temperatura bem agradável, o que me fazia ficar sem a mínima vontade de enfrentar o forno que fazia do lado de fora. Pois bem, fui dormir com o AC e o ventilador ligados no máximo e me surpreendi de ter acordado no meio da noite tremendo incontrolávelmente de frio. Tive que levantar da cama para desligar os aparelhos e não sei o porque, mas resolvi dar uma olhada pela janela e não pude acreditar no que via. Tudo estava branco do lado de fora, mal dava para perceber que o que eu via era o meu jardim. Fiquei tão espantada com a imagem que saí para ver direito o que aquilo era. Mesmo que eu imaginasse o que fosse, até antes daquele dia eu acharia que seria impossível de acontecer onde eu morava. E eu não estava errada. Quando saí pela porta da cozinha senti um vento gelado e percebi que aquela grossa camada branca no meu jardim era realmente neve. Eu nunca tinha visto neve antes, então não resisti e corri para sentir como era. E eu não era a única a fazer isso. Eu podia ouvir várias vozes pela vizinhança exclamando de surpresa com esse fenômeno da natureza que até aquele dia nunca tinha acontecido ali antes. O frio repentino foi bem vindo para todos, mesmo ninguém estando preparado ou acostumado a baixas temperaturas, mas a nevasca também trouxe problemas. Nossa cidade ficava em um país tropical, então nenhuma construção estava preparada para aguentar frio rigoroso, e foi aí que começaram os problemas com água congelada nos encanamentos, ruas bloqueadas pela neve, pessoas presas em lugares fechados, fora os casos de hiportemia que aconteciam com a pessoas que não se agasalhavam propriamente. O frio também agravou o estado médico de todas as pessoas que já estavam doentes antes, e assim como o calor, matou muitas pessoas. Em todos os noticiários apareciam meteorologistas com explicações ilógicas para a nevasca repentina, mas para mim, era como se a natureza havia finalmente decidido se vingar por todos os anos de sofrimento que a humanidade a fez passar.
segunda-feira, fevereiro 14, 2011
Resistência - Capítulo 2
Eu não sei se tem alguém lendo essa história, e se estiverem lendo, eu não tenho como saber se vocês são humanos ou não, mas antes que comecem a se perguntar ou até mesmo que tentem, não tem como rastrear o IP desse blog. Sabe, a sorte que eu tive é que o lugar onde eu estou, além de ter computadores e internet, também tenho vários - digamos que - entendedores de tecnologia, então por mais que tentem, garanto que ninguém aí fora vai conseguir descobrir onde estamos, independente de quão avançada seja a tecnologia que estejam usando. Mas voltando a história...
Eu comentei das bolinhas que achei pela minha casa em uma manhã, bom, aquela não foi a única ocasião que vi as bolinhas. Acontece que elas não apareceram apenas na minha casa, mas em todos os lugares. Eu cheguei a encontrar umas em uma das gavetas da minha mesa no trabalho, mas o que eu achei estranho é que umas estavam abertas como pequenos ovinhos e elas eram ocas por dentro. Bom, para mim elas eram apenas bolinhas, então só as joguei no lixo da mesma maneira que tinha feito com as que eu encontrara em casa. Só que eu não sabia que em todos os lugares as pessoas estavam achando bolinhas abertas e agindo da mesma forma que eu agi. Poucos dias depois começaram a ter surtos de doenças em todo lugar. Só que não era só uma doença. Algumas pessoas ficavam seriamente gripadas, outras tinham dores pelo corpo, outras pareciam ter intoxicação alimentar, e não havia nada que os médicos conseguissem fazer para curar essas pessoa. Elas só ficavam cada vez piores de suas doenças e muito poucas conseguiam se recuperar completamente, e as poucas que conseguiram ficavam com algumas sequelas. As doenças pioraram também. Começaram a aparecer muitos casos estranhos de câncer em muitas pessoas ao mesmo tempo. Pode parecer besteira, mas o calor junto com a secae os surtos de doenças começou a provocar uma certa mudança nas pessoas e até teve um aumento na violência em geral. As pessoas evitavam sair nas ruas sem necessidade e a noite tudo era tão deserto que parecia uma cidade abandonada. Eu mesma só saía de casa a trabalho e mesmo assim, sempre acompanhada de alguém e de preferência, semre de carro. Acho que foi nessa época que eu percebi pela primeira vez como os seres humanos podem ser afetados com facilidade.
Eu comentei das bolinhas que achei pela minha casa em uma manhã, bom, aquela não foi a única ocasião que vi as bolinhas. Acontece que elas não apareceram apenas na minha casa, mas em todos os lugares. Eu cheguei a encontrar umas em uma das gavetas da minha mesa no trabalho, mas o que eu achei estranho é que umas estavam abertas como pequenos ovinhos e elas eram ocas por dentro. Bom, para mim elas eram apenas bolinhas, então só as joguei no lixo da mesma maneira que tinha feito com as que eu encontrara em casa. Só que eu não sabia que em todos os lugares as pessoas estavam achando bolinhas abertas e agindo da mesma forma que eu agi. Poucos dias depois começaram a ter surtos de doenças em todo lugar. Só que não era só uma doença. Algumas pessoas ficavam seriamente gripadas, outras tinham dores pelo corpo, outras pareciam ter intoxicação alimentar, e não havia nada que os médicos conseguissem fazer para curar essas pessoa. Elas só ficavam cada vez piores de suas doenças e muito poucas conseguiam se recuperar completamente, e as poucas que conseguiram ficavam com algumas sequelas. As doenças pioraram também. Começaram a aparecer muitos casos estranhos de câncer em muitas pessoas ao mesmo tempo. Pode parecer besteira, mas o calor junto com a secae os surtos de doenças começou a provocar uma certa mudança nas pessoas e até teve um aumento na violência em geral. As pessoas evitavam sair nas ruas sem necessidade e a noite tudo era tão deserto que parecia uma cidade abandonada. Eu mesma só saía de casa a trabalho e mesmo assim, sempre acompanhada de alguém e de preferência, semre de carro. Acho que foi nessa época que eu percebi pela primeira vez como os seres humanos podem ser afetados com facilidade.
domingo, fevereiro 13, 2011
Resistência - Capítulo 1
Devem estar se perguntando o porque de eu estar perdendo meu tempo escrevendo sobre isso aqui, afinal todos nós vimos o que aconteceu com o mundo, mas a verdade é que onde eu estou não se tem muito o que fazer e então resolvi documentar essa nova fase do planeta para qualquer um que sobreviva a todo esse caos. Bom, mas vamos voltar a história.
Tudo aconteceu de maneira muito sorrateira e acho que naquela época era impossível qualquer pessoa fazer conexão entre os acontecimentos. Mas pelo que eu me lembre, algumas semanas depois das bolinhas veio o calor. Um calor insuportável caiu sobre a cidade onde eu morava. Não sei se o mundo inteiro sofreu esse mesmo aumento de temperatura mas onde eu morava todos reclamavam do inferno que estava fazendo. Era impossível sair nas ruas sem suar e nenhum ar condicionado estava dando conta. Não tinha brisa, não tinha nuvem, não tinha chuva, era apenas o Sol escaldante todos os dias fritando os cérebros dos que precisavam sair dos lugares fechados. E de noite não melhorava. Parecia que o calor se acumulava nas paredes fazendo qualquer lugar ficar irritantemente abafado. Em seguida veio a seca. Com tanto calor que estava fazendo, todos tentavam se resfrescar usando água. Acho que as piscinas nunca foram tanto usadas como naquela época. Lá em casa a solução foi comprarmos uma daquelas piscinas de plástico para montarmos no quintal, mas tivemos que por um tolto em cima dela, porque o Sol era tão forte que esquentava a água. E com tanto uso de água junto com a falta de chuva, toda a cidade teve que começar a racionar. Era proibido encher piscinas e regar gramados e todos eram recomendados a apenas um banho por dia sendo este de cinco minutos ou menos. Várias pessoas passaram muito mal nessa época. Ficavam desidratadas, com pressão baixa.. Os hospitais tiveram muito trabalho e mesmo os médicos fazendo o o possível, muitas pessoas morreram por causa do calor. E assim começou a lenta diminuição da população mundial.
Tudo aconteceu de maneira muito sorrateira e acho que naquela época era impossível qualquer pessoa fazer conexão entre os acontecimentos. Mas pelo que eu me lembre, algumas semanas depois das bolinhas veio o calor. Um calor insuportável caiu sobre a cidade onde eu morava. Não sei se o mundo inteiro sofreu esse mesmo aumento de temperatura mas onde eu morava todos reclamavam do inferno que estava fazendo. Era impossível sair nas ruas sem suar e nenhum ar condicionado estava dando conta. Não tinha brisa, não tinha nuvem, não tinha chuva, era apenas o Sol escaldante todos os dias fritando os cérebros dos que precisavam sair dos lugares fechados. E de noite não melhorava. Parecia que o calor se acumulava nas paredes fazendo qualquer lugar ficar irritantemente abafado. Em seguida veio a seca. Com tanto calor que estava fazendo, todos tentavam se resfrescar usando água. Acho que as piscinas nunca foram tanto usadas como naquela época. Lá em casa a solução foi comprarmos uma daquelas piscinas de plástico para montarmos no quintal, mas tivemos que por um tolto em cima dela, porque o Sol era tão forte que esquentava a água. E com tanto uso de água junto com a falta de chuva, toda a cidade teve que começar a racionar. Era proibido encher piscinas e regar gramados e todos eram recomendados a apenas um banho por dia sendo este de cinco minutos ou menos. Várias pessoas passaram muito mal nessa época. Ficavam desidratadas, com pressão baixa.. Os hospitais tiveram muito trabalho e mesmo os médicos fazendo o o possível, muitas pessoas morreram por causa do calor. E assim começou a lenta diminuição da população mundial.
Resistência - Introdução
A princípio eu achei umas bolinhas pelo chão enquanto eu varria minha casa em uma manhã. Eram pequenas e pareciam miçangas, mas não tinham furinhos e eram de um transparente meio fosco. Eu perguntei para o pessoal em casa mas ninguém sabia o que era. As bolinhas pareciam ter simplesmente surgido por aí. Mas tudo bem, continuei varrendo a casa e as joguei no lixo, afinal não pareciam ter nenhuma utilidade e como tudo que é jogado no lixo, cinco minutos depois eu esqueci completamente delas. O dia continuou normal como sempre. Saí para o trabalho, fiz minhas tarefas, almocei com meus amigos do escritório, esse tipo de coisa que se faz diariamente e nem damos importância. Agora, tanto tempo depois, eu penso naquele dia e fico tentando imaginar o que eu teria feito se soubesse o que eram aquelas bolinhas. Queria ter tomado uma providência melhor do que apenas jogá-las no lixo. Mas fazer o que... Nós, seres humanos somos tão cegos com as pequenas coisas da vida que deixamos passar despercebido coisas que podem mudar um mundo.
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