segunda-feira, abril 04, 2011
End
Tudo escureceu depois daquela noticia. Parecia que uma avalanche havia ocorrido arrastando tudo ‘agradável’ que estava no caminho deixando para trás apenas destruição. Em sua mente, parecia como o Tsunami que recentemente aconteceu no Japão. Mas isso, em sua mente. Tudo estava destruído. Tudo quebrado, estraçalhado, inutilizável. Era como sempre acontecia. Quando as coisas estavam calmas, sempre aparecem as ondas gigantes para levar, com elas tudo que fazia da vida aceitável. A música que ela mais ouvia ultimamente continuava a tocar repetidamente – ‘Dead end kids in a danger zone’ – era a única coisa que ela conseguia ouvir em um dia como esse. O mundo continuava normal lá fora. Chuvoso com estava naqueles dias, temperatura agradável, mas não o frio que ela tanto desejava. Chovia... Parava... E o ciclo se repetia. Quem a visse naquele momento pensaria que ela era apenas uma garota que tinha a tão sorte de trabalhar em casa no conforto de sua cama. Mas não era assim. Aquele era seu último dia de trabalho, e as contas que viriam a seguir a levavam a um alto nível de preocupação. Na verdade não eram as contas que a afligiam, mas a certeza de que quando tudo viesse à tona ela iria cair em um poço de escuridão profunda sem expectativas de escapatória. Mas era o que ela desejava agora. Não, ela não sentia desespero, só estava cansada de passar por tudo aquilo repetidamente – ‘If I don’t wake up from this dream I think I’m gonna die’ – e apesar de estar acostumada, ela não queria mais aquilo. Mas onde estava a coragem? Isso era o que faltava para ela todos os dias, todos os segundos em que ela sentia que deveria tomar a mais definitiva decisão de sua vida. Era o lugar em que ela morava, e ela sabia disso. Sempre que ela ficava longe dali, longe daquelas pessoas a mente dela clareava, ficava mais aberta, mais receptiva, perceptiva. Mas ela estava presa a aquele lugar. Por mais que às vezes ela se distanciava, as correntes puxavam-na de volta a seu local de escuridão. Tudo com o que ela sonhou um dia não era nada mais que lembranças, torturas mentais que a atormentavam constantemente. Ela desejava esquecer tudo e todos. Sumir daquela casa, daquela cidade e ir para um lugar completamente desconhecido para começar sua vida do zero sem nunca se envolver com ninguém mais que o necessário. Para que pessoas na vida, afinal? Elas só machucavam, causavam danos, tiravam dela o que precisavam e depois iam embora sem ao menos um ‘adeus’. ‘It´s so sad and crazy here, I think I’m gonna cry’. Os sons da bateria da música a ensurdeciam nesse ponto, mas ela não parava. Em meio a lágrimas seus dedos dançavam pelas teclas do computador transformando pensamentos em palavras que nunca seriam entendidas por alma sequer. Mais um riff de guitarra e ela aumentara o volume da música desejando poder cantá-la com todo seu fôlego para espantar toda a dor que lentamente consumia sua mente. Apenas a mente, mas não seu corpo, como ela tanto desejava. ‘All the pain that I feel makes me feel mean’. Ela desejava sangue. Seu próprio sangue espirrado pelas paredes, escorrendo pelo chão, fazendo uma poça do mais lindo tom de vermelho existente. Porque se preocupar com os outros se os outros não se preocupam com ela? “Alguém sentiria sua falta” – Frase que ela sempre ouvia quando comentava seus mais profundos desejos. “Mas e daí?” – Ela pensava. Vale a pena continuar sofrendo apenas porque existe uma mínima possibilidade de alguém sentir minha falta? Saudade não passa de um sentimento imaginário de pessoas que preferem viver relembrando o passado a aproveitar o presente. E, não existia nenhuma prova de que alguém iria realmente notar a diferença dela estar ou não ali. ‘Justice, justice, don’t want your law and order’. Mas e a coragem, onde estava? Onde ela conseguiria os remedis necessários para aquilo? Onde ela conseguiria uma arma? É, ela tinha preferência pela arma, por todos os benefícios que ela traria. Seria difícil apertar o gatilho, mas no fim, seria rápido e indolor. Seu sangue pintaria o quarto e seu corpo cairia no chão em uma dramática forma cinematográfica que traumatizaria quem a encontrasse. Isso que ela queria. Eficiente, rápido, indolor e ainda a beneficiaria mesmo depois da morte. No final, os que lessem o que ela escrevera ficariam chocados, espantados em como alguém como ela tenha chego a tal ato extremo. Mas é fácil julgar quando não se passa por tudo que o julgado passa. Alguns são fortes, outros são fracos. E é na categoria dos fracos que ela se encaixa, pois nem coragem para o fim ela tem, independente de seu grande desejo. No fim, tudo que ela fez foi continuar deitada chorando, digitando, ouvindo música e deixando os segundos passarem. Uma hora isso seria amenizado, mascarado por mais uma mentira, e ela aproveitaria essa mentira, mas sempre sabendo que uma hora ou outra a máscara irá cair e toda a dor voltará com mais força que antes, até que um dia tudo finalmente acabe.
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Lembre-se que vc nunca está completamente sozinha, há sempre alguém que se importa conosco; normalmente as pessoas que damos menos importância são as que mais nos estimam.
ResponderExcluirEspero os seus próximos textos. Praticando que se chega à maestria! Até mais =]