Todos os dias ele saia para dar uma volta no parque. Passava pelo lago e pelos bancos que se encontravam por todo o caminho e todos os dias ela a via ali, sentada em um banco, observando a calma água do lago com um olhar parado e inexpressivo. Sempre que ele a via, tentava imaginar o porquê de ela estar sempre ali sozinha, no mesmo lugar olhando para o lago. Um dia, ao vê-la enquanto fazia sua caminhada habitual resolveu se aproximar para falar com ela. Sentou no banco ao seu lado e por um momento não fez nada além de observar o lago como ela fazia até sentir que deveria falar.
- Sempre que a vejo nesse mesmo banco, sozinha, concentrada no lago me pergunto o porquê de todos os dias você estar aqui. Espero não estar invadindo sua privacidade, mas apenas hoje tive a coragem de perguntar. Por que está sempre aqui?
- Estou esperando. – Ela disse quase em um sussurro sem tirar seus olhos do lago.
- Se não se importa que eu pergunte, esperando por alguém? Esperando por algo? – Ele perguntou olhando para ela.
- Esperando algo. – Ela respondeu ainda sem se mover.
- Posso perguntar o que seria?
- A morte.
Nesse momento, pela primeira vez ele viu ela se mexer. Ela virou o rosto ainda inexpressivo enquanto falava e olhou em seus olhos. Os olhos dela eram vazios, sem brilho, sem vida. Ele ficou impressionado com o olhar intenso dela e também sem saber o que dizer após sua resposta. Ela abaixou o olhar, se levantou e foi embora andando lentamente pelo caminho contrário de onde ele viera. Ele a observou partir por um tempo e depois contemplou as águas do lago como ela costumava fazer. Levantou-se e ao invés de terminar sua caminhada, voltou para casa para continuar seu dia. Depois desse dia, ele nunca mais a viu.
quinta-feira, abril 21, 2011
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário