sábado, junho 25, 2011
Voz
E aquela voz continuava falando, às vezes gritando, tentando ser ouvida de qualquer maneira. E a maioria das vezes ela conseguia. Suas palavras ensurdecedoras invadiam a mente de quem a ouvia, e assim a pessoa caia, presa a seus pensamentos, suas dores, seus problemas, e quanto mais ela afundava mais a voz gritava, fazendo-a ver todos seus defeitos, todas suas falhas, fraquezas, inutilidades, e uma vez que a voz começasse a gritar, dificilmente haveria algo que a fizesse parar. E a pessoa que ouvia os gritos se mantinha deitada, caída, se afogando em suas próprias lágrimas, lutando para tentar levar oxigênio a seus pulmões, em meio a soluços e a um desespero crescente que aos poucos consumia toda força de vontade que poderia existir, até que em certo momento, seja por fraqueza ou cansaço, a pessoa mergulha em seu mundo particular de sonhos, o único lugar onde pode ser realmente quem é e ficar longe da voz que a persegue por todos os momentos da sua vida.
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