quarta-feira, abril 13, 2011

Jane.

Noite de final de semana, bom, na verdade, madrugada. Já passava da uma da manhã quando Jane e Kate decidiram sair para se divertir. Saíram da casa dos pais de Kate andando pelas ruas escuras vazias que ficavam entre elas e a praia. Não era lá muito seguro, mas era o único caminho que elas tinham e elas já estavam de saco cheio de ficar em casa. Elas foram andando, conversando, Jane com uma garrafa de cerveja na mão da qual Kate bebia uns goles de vez em quando. Em meio a conversas elas foram surpreendidas por um cara.
- Passa o celular! - Ele disse.
- Que? - Jane disse.
- Anda logo, as duas. Passa o celular?
- Celular, meu querido? Você acha que a gente é idiota para sair na rua a essa hora com celular?
- Tá tirando uma com a minha cara, garota? Melhor você ficar quietinha e passar logo o aparelho se não eu mato você e sua amiguinha.
Nessa hora, ele tirou uma arma das costas e apontou-a para Jane.
- Peraí, moço, - disse Kate - a gente está sem nada! Só temos uns trocados!
- Ah é? Então quer dizer que duas meninas como vocês saem de casa sem celular e sem dinheiro? Vocês não me enganam! Passem logo tudo o que vocês tem nos bolsos que eu vou embora! Anda logo, se não aperto o gatilho!
Kate começou a tirar o que tinha do bolso para dar ao assaltante.
- O que você quis dizer com 'duas meninas como vocês'? - Jane perguntou.
- O que? Porque você está me perguntando isso? E anda logo, passa tudo o que você tem nos bolsos.
- Só quero saber! Já que você vai levar os poucos trocados que tenho, não custa nada responder minha pergunta.
O assaltante já impaciente se aproximou de Jane e encostou a arma na barriga dela.
- Duas meninas gostosinhas como vocês andando por aí no meio da noite, sem nenhum homem e nenhum meio de comunicação. Vocês só devem estar atrás de problema mesmo.
- Então você nos acha gostosas? - Nesse momento, Jane aproximou o rosto do ouvido do assaltante e sussurrou - Quem sabe a gente não pode resolver esse nosso impasse então. Nós três em um lugar reservado...
E enquanto Jane falava, sua mão direita brincava pela perna do rapaz. Ele foi lentamente baixando a mão que segurava a arma sem acreditar no que estava acontecendo. Kate olhava toda a cena espantada sem imaginar o que sua amiga pretendia. Jane começou lentamente a aproximar seus lábios dos lábios do assaltante, e com um movimento rápido, ela tirou a arma da mão dele seguindo esse ato com um chute na virilha do cara. O assaltante deu uns passos para trás e caiu ajoelhado na calçada no mesmo momento em que Kate gritava sem acreditar no que via. Jane apontou a arma para a cabeça do assaltante e ele a olhava com lágrimas nos olhos pela dor que sentia.
- Levanta. - Jane disse.
O assaltante obedeceu.
- Agora corre.
- Quê?
- Corre ou eu atiro.
O assaltante virou as costas e correu para bem longe do lugar onde tudo acontecera. Kate, ainda incrédula, se mantinha parada, boquiaberta, olhando para Jane com a arma na mão. Jane abaixou a arma e começou a caminhar.
- Vamos? - Jane disse como se nada tivesse acontecido.
- O que você vai fazer com essa arma? - Kate perguntou timidamente enquanto seguia Jane uns passos atrás olhando para a mão da amiga.
- Vou guardá-la.
- Jane...
- Eu sempre quis ter uma arma.

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