segunda-feira, abril 25, 2011
Existindo...
Eu poderia admitir aos sete ventos que tenho um problema, mas na verdade já admiti isso a mim mesma há muito tempo. Eu poderia tentar e levantar e continuar lutando, mas baixei minhas armas por vontade própria, não tenho mais vontade. Seria mais fácil entrar no mar e nadar até meus braços cansarem, ou simplesmente deitar nos trilhos do trem e esperar ele passar. Mas não, ao invés disso eu continuo aqui. Consumindo oxgênio e expelindo gás carbônico. Ocupando espaço. Existindo. Deixando as horas passarem até que para mim elas finalmente parem e eu consiga minha paz eterna.
quinta-feira, abril 21, 2011
Lago
Todos os dias ele saia para dar uma volta no parque. Passava pelo lago e pelos bancos que se encontravam por todo o caminho e todos os dias ela a via ali, sentada em um banco, observando a calma água do lago com um olhar parado e inexpressivo. Sempre que ele a via, tentava imaginar o porquê de ela estar sempre ali sozinha, no mesmo lugar olhando para o lago. Um dia, ao vê-la enquanto fazia sua caminhada habitual resolveu se aproximar para falar com ela. Sentou no banco ao seu lado e por um momento não fez nada além de observar o lago como ela fazia até sentir que deveria falar.
- Sempre que a vejo nesse mesmo banco, sozinha, concentrada no lago me pergunto o porquê de todos os dias você estar aqui. Espero não estar invadindo sua privacidade, mas apenas hoje tive a coragem de perguntar. Por que está sempre aqui?
- Estou esperando. – Ela disse quase em um sussurro sem tirar seus olhos do lago.
- Se não se importa que eu pergunte, esperando por alguém? Esperando por algo? – Ele perguntou olhando para ela.
- Esperando algo. – Ela respondeu ainda sem se mover.
- Posso perguntar o que seria?
- A morte.
Nesse momento, pela primeira vez ele viu ela se mexer. Ela virou o rosto ainda inexpressivo enquanto falava e olhou em seus olhos. Os olhos dela eram vazios, sem brilho, sem vida. Ele ficou impressionado com o olhar intenso dela e também sem saber o que dizer após sua resposta. Ela abaixou o olhar, se levantou e foi embora andando lentamente pelo caminho contrário de onde ele viera. Ele a observou partir por um tempo e depois contemplou as águas do lago como ela costumava fazer. Levantou-se e ao invés de terminar sua caminhada, voltou para casa para continuar seu dia. Depois desse dia, ele nunca mais a viu.
- Sempre que a vejo nesse mesmo banco, sozinha, concentrada no lago me pergunto o porquê de todos os dias você estar aqui. Espero não estar invadindo sua privacidade, mas apenas hoje tive a coragem de perguntar. Por que está sempre aqui?
- Estou esperando. – Ela disse quase em um sussurro sem tirar seus olhos do lago.
- Se não se importa que eu pergunte, esperando por alguém? Esperando por algo? – Ele perguntou olhando para ela.
- Esperando algo. – Ela respondeu ainda sem se mover.
- Posso perguntar o que seria?
- A morte.
Nesse momento, pela primeira vez ele viu ela se mexer. Ela virou o rosto ainda inexpressivo enquanto falava e olhou em seus olhos. Os olhos dela eram vazios, sem brilho, sem vida. Ele ficou impressionado com o olhar intenso dela e também sem saber o que dizer após sua resposta. Ela abaixou o olhar, se levantou e foi embora andando lentamente pelo caminho contrário de onde ele viera. Ele a observou partir por um tempo e depois contemplou as águas do lago como ela costumava fazer. Levantou-se e ao invés de terminar sua caminhada, voltou para casa para continuar seu dia. Depois desse dia, ele nunca mais a viu.
quarta-feira, abril 13, 2011
Jane.
Noite de final de semana, bom, na verdade, madrugada. Já passava da uma da manhã quando Jane e Kate decidiram sair para se divertir. Saíram da casa dos pais de Kate andando pelas ruas escuras vazias que ficavam entre elas e a praia. Não era lá muito seguro, mas era o único caminho que elas tinham e elas já estavam de saco cheio de ficar em casa. Elas foram andando, conversando, Jane com uma garrafa de cerveja na mão da qual Kate bebia uns goles de vez em quando. Em meio a conversas elas foram surpreendidas por um cara.
- Passa o celular! - Ele disse.
- Que? - Jane disse.
- Anda logo, as duas. Passa o celular?
- Celular, meu querido? Você acha que a gente é idiota para sair na rua a essa hora com celular?
- Tá tirando uma com a minha cara, garota? Melhor você ficar quietinha e passar logo o aparelho se não eu mato você e sua amiguinha.
Nessa hora, ele tirou uma arma das costas e apontou-a para Jane.
- Peraí, moço, - disse Kate - a gente está sem nada! Só temos uns trocados!
- Ah é? Então quer dizer que duas meninas como vocês saem de casa sem celular e sem dinheiro? Vocês não me enganam! Passem logo tudo o que vocês tem nos bolsos que eu vou embora! Anda logo, se não aperto o gatilho!
Kate começou a tirar o que tinha do bolso para dar ao assaltante.
- O que você quis dizer com 'duas meninas como vocês'? - Jane perguntou.
- O que? Porque você está me perguntando isso? E anda logo, passa tudo o que você tem nos bolsos.
- Só quero saber! Já que você vai levar os poucos trocados que tenho, não custa nada responder minha pergunta.
O assaltante já impaciente se aproximou de Jane e encostou a arma na barriga dela.
- Duas meninas gostosinhas como vocês andando por aí no meio da noite, sem nenhum homem e nenhum meio de comunicação. Vocês só devem estar atrás de problema mesmo.
- Então você nos acha gostosas? - Nesse momento, Jane aproximou o rosto do ouvido do assaltante e sussurrou - Quem sabe a gente não pode resolver esse nosso impasse então. Nós três em um lugar reservado...
E enquanto Jane falava, sua mão direita brincava pela perna do rapaz. Ele foi lentamente baixando a mão que segurava a arma sem acreditar no que estava acontecendo. Kate olhava toda a cena espantada sem imaginar o que sua amiga pretendia. Jane começou lentamente a aproximar seus lábios dos lábios do assaltante, e com um movimento rápido, ela tirou a arma da mão dele seguindo esse ato com um chute na virilha do cara. O assaltante deu uns passos para trás e caiu ajoelhado na calçada no mesmo momento em que Kate gritava sem acreditar no que via. Jane apontou a arma para a cabeça do assaltante e ele a olhava com lágrimas nos olhos pela dor que sentia.
- Levanta. - Jane disse.
O assaltante obedeceu.
- Agora corre.
- Quê?
- Corre ou eu atiro.
O assaltante virou as costas e correu para bem longe do lugar onde tudo acontecera. Kate, ainda incrédula, se mantinha parada, boquiaberta, olhando para Jane com a arma na mão. Jane abaixou a arma e começou a caminhar.
- Vamos? - Jane disse como se nada tivesse acontecido.
- O que você vai fazer com essa arma? - Kate perguntou timidamente enquanto seguia Jane uns passos atrás olhando para a mão da amiga.
- Vou guardá-la.
- Jane...
- Eu sempre quis ter uma arma.
- Passa o celular! - Ele disse.
- Que? - Jane disse.
- Anda logo, as duas. Passa o celular?
- Celular, meu querido? Você acha que a gente é idiota para sair na rua a essa hora com celular?
- Tá tirando uma com a minha cara, garota? Melhor você ficar quietinha e passar logo o aparelho se não eu mato você e sua amiguinha.
Nessa hora, ele tirou uma arma das costas e apontou-a para Jane.
- Peraí, moço, - disse Kate - a gente está sem nada! Só temos uns trocados!
- Ah é? Então quer dizer que duas meninas como vocês saem de casa sem celular e sem dinheiro? Vocês não me enganam! Passem logo tudo o que vocês tem nos bolsos que eu vou embora! Anda logo, se não aperto o gatilho!
Kate começou a tirar o que tinha do bolso para dar ao assaltante.
- O que você quis dizer com 'duas meninas como vocês'? - Jane perguntou.
- O que? Porque você está me perguntando isso? E anda logo, passa tudo o que você tem nos bolsos.
- Só quero saber! Já que você vai levar os poucos trocados que tenho, não custa nada responder minha pergunta.
O assaltante já impaciente se aproximou de Jane e encostou a arma na barriga dela.
- Duas meninas gostosinhas como vocês andando por aí no meio da noite, sem nenhum homem e nenhum meio de comunicação. Vocês só devem estar atrás de problema mesmo.
- Então você nos acha gostosas? - Nesse momento, Jane aproximou o rosto do ouvido do assaltante e sussurrou - Quem sabe a gente não pode resolver esse nosso impasse então. Nós três em um lugar reservado...
E enquanto Jane falava, sua mão direita brincava pela perna do rapaz. Ele foi lentamente baixando a mão que segurava a arma sem acreditar no que estava acontecendo. Kate olhava toda a cena espantada sem imaginar o que sua amiga pretendia. Jane começou lentamente a aproximar seus lábios dos lábios do assaltante, e com um movimento rápido, ela tirou a arma da mão dele seguindo esse ato com um chute na virilha do cara. O assaltante deu uns passos para trás e caiu ajoelhado na calçada no mesmo momento em que Kate gritava sem acreditar no que via. Jane apontou a arma para a cabeça do assaltante e ele a olhava com lágrimas nos olhos pela dor que sentia.
- Levanta. - Jane disse.
O assaltante obedeceu.
- Agora corre.
- Quê?
- Corre ou eu atiro.
O assaltante virou as costas e correu para bem longe do lugar onde tudo acontecera. Kate, ainda incrédula, se mantinha parada, boquiaberta, olhando para Jane com a arma na mão. Jane abaixou a arma e começou a caminhar.
- Vamos? - Jane disse como se nada tivesse acontecido.
- O que você vai fazer com essa arma? - Kate perguntou timidamente enquanto seguia Jane uns passos atrás olhando para a mão da amiga.
- Vou guardá-la.
- Jane...
- Eu sempre quis ter uma arma.
sábado, abril 09, 2011
Resistência - Capítulo 7
Todo mundo sempre criticou meu carrinho velho. Falavam que estava ultrapassado, que um dia ele ia me deixar na mão e que eu deveria comprará um carro novo. Mas eu não ligava. Sempre ignorava esse tipo de comentário e continuava andando por aí com meu carrinho antigo diferente das modernidades que os outros usavam. Pensando nisso agora da até vontade de rir de todos que criticavam meu Passat GTS Pointer, porque quando os carros de todo mundo parou de funcionar por causa da tecnologia dos 'amigos' que vieram de longe, todo mundo ficou querendo fugir no meu carrinho comigo. Lógico, levei umas pessoas comigo, meu dois colegas que dividiam a casa comigo, e o resto do espaço do carro foi usado para carregar roupas e suprimentos. É, tudo estava tão caótico a esse ponto que todos estavam desesperados para fugir da cidade em busca de um lugar seguro, se é que um lugar seguro existia. Foi extremamente difícil deixar a cidade. Primeiro por que as ruas estavam lotadas de carros modernos que possuíam computadores de bordo, e a tecnologia daqueles seres impedia que esses carros modernos funcionasse. Segundo porque quando as pessoas viam que meu carro funcionava, tentavam desesperadamente uma madeira de tirá-lo de mim e de meus amigos. E terceiro porque conseguir combustível a princípio se tornara um ato bem difícil, mas conforme avançávamos em nossa viagem os obstáculos foram ficando cada vez mais fáceis até que sumiram quase por completo. Ao alcançarmos a estrada era mais fácil desviar dos poucos carros que apareciam, não haviam pessoas desesperadas pelo caminho e o combustível nós roubávamos de carros abandonados quando precisávamos. O problema se tornou: 'Onde ir?'. Não tínhamos ideia de um lugar que pudesse ser seguro o bastante para podermos nos manter pelo menos por um tempo. Por um tempo nos mantíamos acampando durante a noite em locais afastados das estradas e revezando a vigilância do acampamento durante a noite e de dia, revezávamos quem dirigia, sempre tentando manter a descrição. Naquele tempo, ser descoberto por humanos ou qualquer outra criatura poderia comprometer nossa sobrevivência. Conseguimos nos manter assim por um tempo, até que nossos suprimentos começaram a chegar em um nível crítico e não tivemos outra opção se não deixarmos a estrada e entrarmos em alguma cidade a procura de algum mercado abandonado para roubarmos a comida que precisávamos. Parecia uma missão fácil, mas estávamos a tanto tempo longe da massa da humanidade que não imaginávamos o que poderíamos encontrar. Seres humanos podem ser civilizados, mas infelizmente, nossa raça também pode ser impiedosa quando se trata de sua própria sobrevivência, e com tudo que estava acontecendo, aprendi isso da pior forma.
quinta-feira, abril 07, 2011
Só um corpo, nada mais.
De todos esses eu não quero nenhum. Mas não fico parada. Meu corpo se envolve sem minha mente se importar, e no dia seguinte tudo é esquecido como se tivesse sido criado pela minha imaginação. Mas não me importo com isso, com nada disso. É só um corpo, nada mais.
Vento, céu e estrada.
O céu estava lindo aquela noite. Sem nuvens, uma grande Lua cheia e as poucas estrelas que conseguiam sobressair entre as luzes da cidade. Não resisti e fui até o quarto. Coloquei meus jeans, uma blusa qualquer, minha jaqueta e bota de couro, peguei as chaves e saí. Na rua, uma brisa agradável. Mas brisa para mim era pouco. Eu queria mais. Subi na minha moto, dei a partida e saí sem rumo. Éramos só eu, o vento, o céu e a estrada, e afinal, era só isso que eu precisava. Eu não pensava onde ía, apenas seguia a estrada ignorando os limites de velocidade e aproveitando cada curva que aparecia. Acabei achando uma estradinha pelo caminho e a segui sem ter idéia de onde me levaria. Fomos descendo eu e a moto como se fôssemos uma até chegarmos a uma praia bem pequena que parecia ter sido esquecido pela humanidade. Dessa vez era o mar que me chamava. Mas não para nadar em suas águas, mas para contemplar sua beleza. Estacionei e comecei a caminhar pela areia solta. Encontrei um tronco velho e sentei-me nele para poder olhar as ondas do mar indo e vindo em seu ciclo contínuo e incansável. A única iluminação ali era da Lua e as estrelas, que aqui apareciam em montes de maneira que era até difícil de identificar as constelações. Acabei adormecendo ali. Deitada na areia, ouvindo o som do mar e sendo observada pelas estrelas. Despertei com o Sol forte que brilhava na manhã seguinte, fazendo com que o mar reluzisse com todo seu esplendor. E mais uma vez a estrada parecia convidativa. Bati a areia da minha roupa, subi em minha moto e continuei em frente. Sempre em frente sem nunca olhar para trás. Deixando tudo no passado e eu e minha moto vivendo apenas de vento, céu e estrada. Pois afinal, era só o que eu precisava.
segunda-feira, abril 04, 2011
End
Tudo escureceu depois daquela noticia. Parecia que uma avalanche havia ocorrido arrastando tudo ‘agradável’ que estava no caminho deixando para trás apenas destruição. Em sua mente, parecia como o Tsunami que recentemente aconteceu no Japão. Mas isso, em sua mente. Tudo estava destruído. Tudo quebrado, estraçalhado, inutilizável. Era como sempre acontecia. Quando as coisas estavam calmas, sempre aparecem as ondas gigantes para levar, com elas tudo que fazia da vida aceitável. A música que ela mais ouvia ultimamente continuava a tocar repetidamente – ‘Dead end kids in a danger zone’ – era a única coisa que ela conseguia ouvir em um dia como esse. O mundo continuava normal lá fora. Chuvoso com estava naqueles dias, temperatura agradável, mas não o frio que ela tanto desejava. Chovia... Parava... E o ciclo se repetia. Quem a visse naquele momento pensaria que ela era apenas uma garota que tinha a tão sorte de trabalhar em casa no conforto de sua cama. Mas não era assim. Aquele era seu último dia de trabalho, e as contas que viriam a seguir a levavam a um alto nível de preocupação. Na verdade não eram as contas que a afligiam, mas a certeza de que quando tudo viesse à tona ela iria cair em um poço de escuridão profunda sem expectativas de escapatória. Mas era o que ela desejava agora. Não, ela não sentia desespero, só estava cansada de passar por tudo aquilo repetidamente – ‘If I don’t wake up from this dream I think I’m gonna die’ – e apesar de estar acostumada, ela não queria mais aquilo. Mas onde estava a coragem? Isso era o que faltava para ela todos os dias, todos os segundos em que ela sentia que deveria tomar a mais definitiva decisão de sua vida. Era o lugar em que ela morava, e ela sabia disso. Sempre que ela ficava longe dali, longe daquelas pessoas a mente dela clareava, ficava mais aberta, mais receptiva, perceptiva. Mas ela estava presa a aquele lugar. Por mais que às vezes ela se distanciava, as correntes puxavam-na de volta a seu local de escuridão. Tudo com o que ela sonhou um dia não era nada mais que lembranças, torturas mentais que a atormentavam constantemente. Ela desejava esquecer tudo e todos. Sumir daquela casa, daquela cidade e ir para um lugar completamente desconhecido para começar sua vida do zero sem nunca se envolver com ninguém mais que o necessário. Para que pessoas na vida, afinal? Elas só machucavam, causavam danos, tiravam dela o que precisavam e depois iam embora sem ao menos um ‘adeus’. ‘It´s so sad and crazy here, I think I’m gonna cry’. Os sons da bateria da música a ensurdeciam nesse ponto, mas ela não parava. Em meio a lágrimas seus dedos dançavam pelas teclas do computador transformando pensamentos em palavras que nunca seriam entendidas por alma sequer. Mais um riff de guitarra e ela aumentara o volume da música desejando poder cantá-la com todo seu fôlego para espantar toda a dor que lentamente consumia sua mente. Apenas a mente, mas não seu corpo, como ela tanto desejava. ‘All the pain that I feel makes me feel mean’. Ela desejava sangue. Seu próprio sangue espirrado pelas paredes, escorrendo pelo chão, fazendo uma poça do mais lindo tom de vermelho existente. Porque se preocupar com os outros se os outros não se preocupam com ela? “Alguém sentiria sua falta” – Frase que ela sempre ouvia quando comentava seus mais profundos desejos. “Mas e daí?” – Ela pensava. Vale a pena continuar sofrendo apenas porque existe uma mínima possibilidade de alguém sentir minha falta? Saudade não passa de um sentimento imaginário de pessoas que preferem viver relembrando o passado a aproveitar o presente. E, não existia nenhuma prova de que alguém iria realmente notar a diferença dela estar ou não ali. ‘Justice, justice, don’t want your law and order’. Mas e a coragem, onde estava? Onde ela conseguiria os remedis necessários para aquilo? Onde ela conseguiria uma arma? É, ela tinha preferência pela arma, por todos os benefícios que ela traria. Seria difícil apertar o gatilho, mas no fim, seria rápido e indolor. Seu sangue pintaria o quarto e seu corpo cairia no chão em uma dramática forma cinematográfica que traumatizaria quem a encontrasse. Isso que ela queria. Eficiente, rápido, indolor e ainda a beneficiaria mesmo depois da morte. No final, os que lessem o que ela escrevera ficariam chocados, espantados em como alguém como ela tenha chego a tal ato extremo. Mas é fácil julgar quando não se passa por tudo que o julgado passa. Alguns são fortes, outros são fracos. E é na categoria dos fracos que ela se encaixa, pois nem coragem para o fim ela tem, independente de seu grande desejo. No fim, tudo que ela fez foi continuar deitada chorando, digitando, ouvindo música e deixando os segundos passarem. Uma hora isso seria amenizado, mascarado por mais uma mentira, e ela aproveitaria essa mentira, mas sempre sabendo que uma hora ou outra a máscara irá cair e toda a dor voltará com mais força que antes, até que um dia tudo finalmente acabe.
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