domingo, março 20, 2011

Horas

Deixo as horas passarem odiando cada segundo.
Preferiria dormir em um pesadelo do que viver minha vida.

segunda-feira, março 07, 2011

Filhos da Noite - Capítulo 1, O Nascimento

Sabe quando está tudo uma porcaria? Quando você se sente na completa merda? É, é meio nesse estado que eu estava quando tudo aconteceu. Depois de ter passado semana após semana mofando em casa sem fazer nada de produtivo e revezando a minha atenção entre a televisão e o computador (isso sem contar às vezes em que eu usava o computador enquanto assistia televisão) eu senti certa noite que precisava de um pouco de ar puro. Ou um pouco de poluição recém saída dos escapamentos, já que moro em uma cidade e ar puro é praticamente impossível de se achar por aqui. Saí de casa em direção à praia. Andei um pouco pelo calçadão e depois sentei em um banco para olhar o mar e as poucas estrelas que conseguiam aparecer em meio às luzes da civilização. Estava tão distraída que não vi quando ele sentou ao meu lado. Um cara até que bonito. Cabelos curtos e castanhos escuro, usava jeans e uma camisa social coberta por uma interessante jaqueta surrada. Ele começou a falar, mas não era assunto tipo “conversa de fila de super mercado”, na verdade o que ele falava era até interessante, e convenhamos, se eu, a “Sra.-Odeio-Falar-Com-Estranhos, estou falando isso, pode ter certeza que ele realmente dizia algo que merecia a minha atenção. Acabei me perdendo em suas palavras inteligentes, e assim que ele me olhou, me hipnotizei com seu olhar profundo e intrigante. Não sei ao certo como aconteceu, mas quando percebi estávamos envolvidos em um longo beijo. Não conseguia entender como a pele dele podia ser tão fria mesmo estando coberta pela pesada jaqueta em uma noite quente de verão. Me deixei ser levada pelo momento, e senti algo arranhando a pele do meu pescoço. Uma dor se veio seguida de um prazer inexplicável. Era como eletricidade passando por todo meu corpo, e então, tudo escureceu. E isso é tudo que consigo lembrar daquela noite.


Não sei que horas eram, mas acordei como se estivesse de ressaca apesar de não lembrar de ter bebido álcool na noite anterior. Abri os olhos percebi que não estava na minha casa. Apesar de o quarto estar em completa escuridão, eu conseguia enxergar muito bem. Era meio como usar aqueles óculos para visão noturna, só que eu conseguia ver as cores de tudo, mas em menos intensidade do que se estivesse com alguma luz acesa. Me levantei e senti meu corpo doer. Quarto estranho e escuro, ressaca, dor, a primeira coisa que me veio à cabeça foi: sequestro. Corri até a porta sentindo o estômago reclamar de fome e só aí eu percebi o gosto estranho de ferro na minha boca. Abri a porta com cuidado, mas a maçaneta acabou saindo na minha mão. “Talvez ela já estivesse quebrada antes”, eu pensei. A luz do corredor atingiu meus olhos com ferocidade. Olhei para fora do quarto e como não vi ninguém, saí bem devagar me esgueirando pelas paredes e cantos tentando não fazer nenhum barulho. Desci as escadas para uma ampla sala bem mobiliada e equipada com bastante tecnologia. Bom, fazendo a contagem: uma casa com andares, mobílias caras, televisões e computadores de última linha, ta bem, não era um sequestro, mas eu continuava sem entender como eu tinha ido parar naquele lugar, mas ainda assim, eu sentia uma grande necessidade de sair dali o mais rápido possível. Corri em direção à porta, mas no meio do caminho um cheiro chamou a minha atenção, e quando eu percebi meus pés me levavam na direção de onde o aroma vinha. Acabei chegando na cozinha, onde encontrei, em cima da bancada uma caneca. Nem pensei em ver o que tinha dentro, apenas a peguei e bebi o líquido. Acho que nunca havia bebido algo tão gostoso antes. A textura, o sabor e o aroma, tudo em uma combinação perfeita de algo que eu não conseguia descobrir o que era, mas que me levava ao mais alto êxtase de satisfação. Mal eu sabia que aquela maravilhosa bebida seria a única coisa com a qual eu me alimentaria pelo resto de minha existência. A bebida descia quente pela minha garganta e parecia fluir pelo meu corpo. O prazer era tão grande que não percebi quando ele chegou perto de mim. E quando digo “ele”, me refiro ao mesmo cara bonito de jaqueta surrada que tinha sentado ao meu lado no banco da praia na noite anterior, só que agora ele não usava mais a jaqueta e a camisa estava aberta mostrando seu físico digamos que, admirável. Ele não parecia ameaçador, mas eu não conseguia me sentir a vontade estando na casa de uma pessoa que eu havia conhecido na noite anterior e que eu tinha acabado de lembrar, eu não sabia seu nome.
- Sabe, a primeira vez que você se alimenta você nunca esquece... – Ele disse me olhando com curiosidade.
- O que você quer dizer com isso? – Eu disse intrigada com o que ele tinha acabado de dizer.
- Como você está se sentindo? – Ele perguntou ignorando a minha pergunta.
- Quem é você e porque eu estou aqui com você? – Eu perguntei sem responder sua pergunta.
- Só achei que seria melhor você vir pra cá do que ficar em qualquer outro lugar e passar por tudo isso sozinha. Sabe, não é uma experiência muito legal se você não tem quem te explique toda a situação.
- Situação?
- É, sabe mudanças não são fáceis, ainda mais quando você não sabe pelo que esperar.
- Quer parar de enrolar e me dizer logo que merda está acontecendo aqui?
- Hum... Acho melhor você se alimentar mais um pouco antes da gente falar sobre isso. – E dizendo isso, ele pegou a caneca da minha mão, foi até a geladeira, a encheu mais com o líquido mágico e a colocou para esquentar por uns segundos no microondas. Enquanto a caneca rodava na bandeja do aparelho ele me olhava de uma maneira intrigante e divertida, como se me achasse engraçada ou algo assim.
- Quem é você afinal? – Eu perguntei na mesma hora que o microondas apitava avisando o final do processo.
- Creio que isto não seja importante por hora. Pegue. – Ele disse me dando a caneca com o líquido recém esquentado. – Beba devagar! Eu sei que você está com fome, mas não faz bem se alimentar com pressa. Sente-se, temos muito sobre o que conversar. – E dizendo isso ele apontou para uma banqueta e nos sentamos cada um de um lado da ilha no meio da cozinha. Pensando bem, acho que foi uma boa maneira de começar minha nova vida. Pensando bem, tudo isso poderia ter sido bem traumático se tivesse acontecido de outra maneira.


- O que? – Eu não podia acreditar no que ele estava me dizendo. Aquilo tudo só podia ser uma brincadeira! Era impossível que fosse verdade. – Ah, ta legal. Você vai ficar inventando estórias, tudo bem então. – E falando isso eu me levantei e andei em direção à saída.
- Se eu fosse você eu não sairia... Sabe, ainda tem muito que você precisa aprender, e passar por isso sozinha não é uma boa idéia. Você ainda não tem noção do que pode fazer agora que nasceu novamente.
- Nasci novamente? Quem você acha que é, um médico que me salvou de uma situação de quase morte? Por favor, pare de besteiras e me deixe ir embora!
- Infelizmente não posso fazer isso. Olha, eu sei que tudo isso parece loucura, tudo está diferente para você agora e eu sei como isso pode ser assustador, mas com o tempo eu garanto que você vai aceitar a realidade e vai me deixar ajudá-la.
Me sentei na banqueta novamente ao ouvir o que ele dissera. Realmente tudo estava diferente. Eu me sentia diferente. Mais forte, mais inteligente, mas mesmo depois de ter ouvido a explicação, eu não conseguia entender porque aquilo estava acontecendo comigo. Porque eu? Eu tinha tantas coisas na minha cabeça que nem conseguia falar. As palavras zuniam no meu cérebro formando tantas perguntas que eu nem sabia por onde começar.
- Está mais calma? – Ele perguntou depois de eu ter ficado tanto tempo em silêncio. – Ainda está com fome?
Acenei a cabeça positivamente e então ele se levantou para esquentar mais alimento para mim. Depois de canecas e mais canecas do líquido maravilhoso acompanhadas pela conversa mais estranha que eu tive na vinha vida eu finalmente me senti satisfeita. Tantas coisas haviam acontecido que eu ainda estava tonta com a quantidade de informações novas. Mal eu sabia que ainda teria muito que aprender sobre essa nova vida. Depois de beber cada gota que havia na caneca, a abaixei e acabei batendo com ela na bancada com força demais e ela acabou se despedaçando na minha mão.
- Tudo bem, então... O que fazemos agora?
- Bom, já está amanhecendo, então eu aconselho que você volte a seu quarto descanse bastante, e dependendo de como se sentir amanhã, nós começaremos com seus aprendizados. – E dizendo isso ele se levantou sinalizando a porta da cozinha para a sala. – Vamos? Vou te mostrar suas acomodações.
Me levantei e o segui pela casa. Subimos as escadas e chegamos a um quarto no andar de cima, o mesmo quarto em que eu tinha acordado.
- Creio que já conheça um pouco do quarto.
- Bem, na verdade eu não prestei atenção antes... – Eu disse. Na verdade eu não tinha nem olhado pro quarto. Tudo que eu pensava quando eu acordei, era em uma maneira de sair dali o mais rápido possível. Mas agora que as luzes estavam acesas e eu estava bem alimentada e calma, pude ver que o quarto era muito bonito. Móveis em madeira escura e tecidos da colcha e das cortinas em seda nas cores vinho e champagne. Uma linda e enorme cama com docel com cortinas combinando com a decoração e um maravilhoso colchão de molas e travesseiros de penas para completar. Em um armário antigo que combinava perfeitamente com o resto do quarto, e dentro tinha umas peças de roupas para eu vestir.
- Você que decorou o quarto? – Perguntei por curiosidade.
- Foi.
- E o resto da casa?
- Também, por quê?
- Nada... Só acho estranho um homem com um senso de decoração tão bom.
Ele olhou para mim girando os olhos. Não pude deixar de rir de uma reação tão humana quanto aquela.
- Bom, se já parou de gracinha, vou deixá-la para que descanse. Durma bem, Eliza!
- Hey, como você sabe meu nome?
E ignorando minha pergunta, ele saiu do quarto e fechou a porta que continuava com a maçaneta quebrada. Fui até o grande banheiro branco anexado ao meu quarto, tomei uma ducha rápida e me vesti com um pijama que encontrei no armário, que por acaso, servia perfeitamente em mim. Deitei na cama e me enfiei de baixo do maravilhoso edredom de penas de ganso. Esse cara podia ser estranho, mas ele definitivamente sabia como criar um quarto com perfeição. Mesmo com muita coisa na mente, assim que me aconcheguei, meu corpo relaxou, meus olhos ficaram pesados e dormi quase que imediatamente. Agora, só restava esperar pelo dia, quero dizer, pela noite seguinte.

domingo, março 06, 2011

Resistência - Capítulo 6

"Encontrada nova espécie de réptil!". Foi isso que eu li uma manhã em um site de notícias que eu acessava todos os dias para saber os acontecimentos do mundo. Biólogos em algum lugar no mundo que não lembro onde era, encontraram um tipo de animal que lembrava bastante um dinossaurinho, meio que um T-Rex, só que com coluna mais erecta, focinho menor e braços funcionais ao invés dos bracinhos atrofiados que sempre víamos nos filmes de dinossauros. Eles eram pequenos, em média com 20 centímetros de altura, mas pareciam ser bem agressivos. Aparentemente, a semelhança com os Tiranousauro Rex não a única ligação que o lagartinho tinha com dinossauro extinto. Pesquisas foram feitas com o animalzinho e foi descoberto que ele era o que seria a evolução do T-Rex até os dias de hoje. Pequenos, porém ferozes. Pelo que os biólogos observaram, o lagarto, que foi apelidado como Mini-Rex costuma caçar em grupo, mata sua presa sem piedade e as vezes começa a comê-la antes mesmo dela estar morta, o Mini-Rex também se alimenta de carcaças de animais quando não há por perto nenhuma opção viva. Perceberam que eu escrevi algumas palavras aí no presente? É, esses animaizinhos ainda estão por aí, e descobrimos que ele não é uma espécie terrestre genuína. Esses Rexizinhos foram implantados na Terra como mais um instrumento de destruição. Os espécimes encontrados pelos biólogos foram os primeiros registrados pelos humanos, mas pouco tempo depois, começaram a aparecer mais dinossaurinhos em todos os cantos do planeta. Eles não apenas se alimentam de carne, mas também de planta e são altamente tóxicos. Foi descoberto em algum momento do grande caos que esses animaizinhos demarcavam terreno com suas substâncias tóxicas (que atá agora não foram identificadas pelos cientistas) deixando o solo envenenado e impróprio para plantação, e eles também envenenavam animais e pessoas com mordidas e um ferrão que foi descoberto na ponta de sua cauda. Eu sei, parece coisa inventada, e eu mesma não acreditei no que eu lia e ouvia até vê-los com meus próprios olhos. Em poucos meses a Terra já estava infestada dessas criaturinhas. Fazendas foram destrudías, perdeu-se muito gado. A essa altura, o mundo já estava quase em desespero total. Não bastava o que havia acontecido antes, agora todas nossas fontes de alimentos também estava afetada. Conheci pessoas que chegaram a tão elevado nível de pânico que elas não aguentaram e cometeram suicídio. Pessoas andavam armadas agora. Tudo era motivo de brigas, em todos os lugares haviam confusões. Começava a batalha pela sobrevivência. E os que resistissem teriam que aprender nessa longa guerra por muitos anos a vir.

quarta-feira, março 02, 2011

Amor? Amizade?

"Ainda bem que o twitter registra followers e não friends, porque se fosse friends minha contagem seria 0."
Uma das frases que eu twittei hoje... E porque twittei isso? Simplemente porque não consigo entender como hoje em dia é fácil conseguir esse título de amigo. Hoje em dia, duas pessoas mal se conhecem e já se chamam de amigo, mas será que elas realmente sabem o que é amizade? O mesmo acontece com a palavra amor. Hoje em dia é fácil ver e ouvir declarações de amor sendo jogadas ao vento, e é tanto usada que está perdendo o sentido. Parei de usar essa palavra. Não saio mais por aí dizendo que amo as pessoas. Não estou querendo ofender ninguém com isso, só acho que para dizer que se ama alguém tem que realmente sentir isso e não confundir carinho, amizade ou alguma outra coisa como amor. E vou começar a fazer a mesma coisa com o cargo de amigo. Não vou chamar qualquer um de amigo. Não é só porque conheço alguém, porque eu já tenha saído com alguém que essa pessoa é minha amiga. Para haver amizade, junto tem que existir confiança, companheirismo. Não é só porque uma pessoa entorna umas cervejas com você no fim de semana que ela pode ser sua amiga. Tenho muitos colegas, muitos conhecidos, mas na minha vida toda, nos meus 23 anos de vida, cheguei à conclusão de que tive 13 amigos. Pessoas em quem eu confiava, pessoas com quem eu podia contar a qualquer hora. Não sei se é triste que tenham sido apenas 13. Não sei se tive sorte por terem sido 13. Não sei se é um número grande ou pequeno, mas essas 13 pessoas passaram pela minha vida e deixaram suas marcas, e algumas delas ainda fazem parte da minha vida, mesmo à distância. E digo sem dúvida alguma, essas pessoas foram/são meus amigos e eu os amo/amei.

terça-feira, março 01, 2011

Ruína

O dia pode ter amanhecido ensolarado. Tudo estava bem até aquele momento. Uma palavra, uma memória... Algo aconteceu... Algo foi lembrado... E esse algo desencadeou tudo que ela guardava, tudo que ela sentia. O Sol podia continuar brilhando lá fora, mas pra ela era como se aquele brilho representasse o toda sua ruína. Todos na rua, despreocupados, aproveitando o bom dia com aqueles que gostam. Todos lá fora... Sempre lá fora e ela do lado de dentro. Por opção, falta de opção, uma junção dos dois que sempre resolviam trabalhar em conjunto para confundir mais sua mente. Aquela dor tão conhecida insistia em voltar nos piores momentos... E as vezes também nos melhores, os estragando e deixando-a no chão por onde todos passavam mas não a viam. E a dor só aumentava. Ela se sentia sufocada, apesar do oxigênio passar pelo seu corpo sem nenhuma obstrução. Ela sentia um peso sobre seu peito. Sua cabeça rodava e a visão turva pelas lágrimas só pioravam a situação. Nada fazia aquilo melhorar. Nada poderia ajudá-la naquele momento. A dor cada vez maior a fazia ficar deitadacom todo tipo de pensamento pela mente. Solidão, desespero... Seu futuro não passava de uma mancha preta a sua frente. Ela não via nada. E um pensamento insistia em voltar à sua mente. 'Porque não?', ela pensava. E apesar do veneno e a garrafa de vodka em sua mão, ela não conseguia. A solução para sua dor estava bem ali, mas ela apenas não agia. Covardia... Às vezes a covardia ataca quandoa coragem é mais necessária.