Katheryn
levava sua vida de forma tranquila. Acordava todas as manhãs, ia para o
trabalho, saía com os amigos, viajava sempre que possível... Vivia como todos
que conhecia viviam. Mas aos poucos isso foi mudando. Ela foi mudando. Ela foi
perdendo o gosto pela vida. Mas isso não a tornou uma pessoa amargurada. Por
fora, ela parecia sempre a mesma. Conversava com todos, mantinha o seu humor
habitual, ria das piadas, porém por dentro começou a existir um vazio. Ele
começou pequeno, quase despercebido. Katheryn foi perdendo a vontade de sair,
de se socializar. A cada dia ela se isolava mais um pouco. A cada dia, um “bom dia”
era deixado de ser dito e passava despercebido. E o vazio sempre crescia. Aos
poucos consumia toda a vontade que ela tinha. Com o passar do tempo, ela
lentamente começou a sair de casa apenas para trabalhar. Passava seus finais de
semana trancada em seu apartamento sem falar com ninguém, ignorando a
existência de um mundo externo às paredes que a rodeavam. Se entretia lendo,
assistia muitos filmes, até se atrevia a desenhar e pintar, mas nada a fazia
ter vontade de sair. Não sentia mais prazer em nada que fizesse. Sentia o mundo
frio e queria ficar longe dele. Logo tudo começou a perder as cores. Ela via
tudo em tons de cinza, opaco e não sentia falta das cores. Nem reparava que o
mundo aos seus olhos havia mudado. O Sol não esquentava sua pele, a Lua não
iluminava suas noites. Até que chegou o dia em que o vazio a havia consumido
por inteiro. Ela já não sentia nada. Cumpria seus deveres de forma impecável,
mas supria apenas as necessidades de seu corpo. Comia, bebia, dormia. E era só
o que precisava. Não vivia, apenas existia. E assim ela continuou até o fim dos
seus dias. Cinza. Vazia.
sexta-feira, agosto 29, 2014
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