terça-feira, outubro 29, 2013

Silêncio

          Ela estava sentada em um dos bancos da praia. Virada em direção ao mar, abraçando as pernas, apoiando o queixo nos joelhos e olhando para o nada. Um homem se aproximou. Um marginalzinho qualquer sedento por algo que pudesse trocar por drogas. "Passa o celular" - ele disse levantando um pouco da camisa para mostrar a arma em sua cintura. Ela não respondeu. Continuou na mesma posição com o olhar vidrado em direção ao mar sem ver nada. Ele chutou o banco e disse - "Não me ouviu? Passa o celular!". "Não tenho" - ela respondeu sem se mover. "Tá louca, mina? Passa logo essa droga se não tu morre!". "Então me mata! Atira" - Ela disse enquanto levantava e o encarava de perto. "Não tem coragem? Pega logo essa arma e me mata!". Ela então surpreendeu o ladrão tirando a arma de sua cintura. "Se não vai me matar então porque ameaçou?" - Ela apontou a arma para sua própria cabeça. "Você pode não ter coragem, mas eu tenho". - Apertou o gatilho. O bandido, surpreso, fugiu correndo o máximo que podia. O corpo dela, durante a queda bateu no banco que o fez girar e a fez ficar com o rosto virado para o chão com a arma ainda em sua mão. O sangue jorrava do ferimento, manchando as pedras portuguesas que pavimentavam a calçada e escorria até a areia levando assim toda a dor. Tudo o que restou foi silêncio.

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