A porta do alçapão fechou com um estrondo a nossas costas
enquanto ela me fazia descer aos tropeços pela escada até a sala. Dei um
encontrão com a mesa, e antes que pudesse me virar para confrontá-la, outras
pessoas entraram no recinto. Dois homens e uma mulher, todos muito brancos e
altos como ela. Um dos homens tinha cabelos pretos, enquanto o outro e a mulher
eram loiros.
- O que
está acontecendo? Vocês estão bem? – O homem loiro perguntou que parecia ser o
mais novo dos três perguntou.
- Levei-a
para ver sua casa e fomos atacados por um Lobo. Conseguimos correr de volta em
segurança, mas temo termos sido seguidas por alguns deles.
- Nastasia,
Adrian, precisamos fazer uma ronda e garantir que eles não achem nossa casa.
Vamos. – O homem loiro falou em tom de ordem para os outros dois que o seguiram
em direção a escada.
- Georg,
tenha cuidado! Não sei quanto mais deles podem estar lá fora.
- Não se
preocupe Alyson, não vamos longe. – E ao dizer isso, ele e os outros dois sumiram
escada acima em completo silêncio.
Toda essa cena
me deixou mais confusa com o que estava acontecendo. Eu não conseguia assimilar
todos aqueles acontecimentos. Era tudo tão irreal que eu me sentia presa em um
sonho sem sentido de onde não conseguia escapar. Não sabia que havia outras
pessoas naquele lugar, mas a visão dela com ferimentos pelo corpo, roupas
rasgadas e sujas de sangue evitou que naquele momento, qualquer curiosidade
sobre aquelas pessoas passassem pela minha cabeça. Sentei-me tonta e ofegante,
ainda tremendo sob efeito da adrenalina que me afetava. Ela puxou uma outra
cadeira e sentou-se a minha frente. Pude ver que seus ferimentos se curavam
rapidamente, e em alguns lugares eles nem mais existiam, apenas restava uma
leve vermelhidão e manchas de sangue. Ela me serviu um copo de água que tomei
com muito gosto, só assim percebendo que minha boca estava seca.
- O que
aconteceu lá fora. Porque fomos atacadas por aquele cachorro?
- Aquilo
não era um cachorro, Liesl, e tenho certeza de que você o viu voltando a sua
forma original depois de morto. Eu sei que é tudo muito estranho, mas não somos
comuns, Georg, Adrian, Nastasia, eu. Nascemos como humanos, mas fomos acolhidos
por uma linhagem antiga que nos tornou diferente.
- O que
você quer dizer com isso? Como uma pessoa não pode ser humana?
- Tenho
certeza de que você sabe que, se eu fosse humana não poderia ter ganhado uma
luta contra um cachorro normal, muito menos contra um lobo daquele porte. Julgando
pela quantidade de livros que tinha na sua casa, imagino que já tenha lido alguma
história ou lenda sobre vampiros e o que podemos fazer.
- Mas são
apenas estórias inventadas. É impossível que aquilo tudo seja verdade.
- Nos
livros somos descritos para parecermos meros personagens saídos da imaginação
de um escritor criativo, mas toda lenda nasce de uma história verdadeira e se
torna lenda pelas descrenças e fantasias que são acrescentados toda vez que ela
é contada. Vampiros existem, mas não somos necessariamente assassinos como a
literatura conta. Precisamos sim de sangue para sobreviver, e matamos apenas
com o intuito de nos alimentarmos, apesar de existir muitos de nós que sentem o
prazer em dilacerar gargantas.
Era
impossível para eu conseguir acreditar no que ela me dizia, e a irrealidade do
momento cresceu ainda mais quando a Adrian entrou violentamente pela porta,
banhado em sangue.
- Eles nos
acharam! – E ao terminar de falar, ele foi jogado contra a parede por um enorme
lobo cinzento que agarrou um de seus braços com os dentes. Alyson pulou nas
costas do lobo. Ela forçava a cabeça do lobo para trás para que ele soltasse
Adrian, enquanto este mordia com voracidade o pescoço da fera, fazendo com que
a mesma urrasse. Os três lutavam enquanto eu em pânico corri escada acima e ao
chegar a o topo me deparei com Georg e Nastasia lutando com mais cinco lobos. Um
dos lobos me viu. Corri o mais rápido que podia por entre as árvores, sempre
ouvindo os passos do lobo que me perseguia, chegando cada vez mais perto. Olhei
para trás e o vi saltando em cima de mim. Depois desse momento, tudo que eu lembro
são imagens borradas e gritos.

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