sexta-feira, agosto 16, 2013

Liesl - Capítulo 8


            Urros.
            Gritos.
            Medo.
            Dor.
            Queda.
            Silêncio.
            Passos.
            Movimento.
            Pontadas no pescoço.
            Frio.
            Gosto de ferro.
            Calor.
            Escuridão.

quarta-feira, agosto 14, 2013

Liesl - Capítulo 7



            A porta do alçapão fechou com um estrondo a nossas costas enquanto ela me fazia descer aos tropeços pela escada até a sala. Dei um encontrão com a mesa, e antes que pudesse me virar para confrontá-la, outras pessoas entraram no recinto. Dois homens e uma mulher, todos muito brancos e altos como ela. Um dos homens tinha cabelos pretos, enquanto o outro e a mulher eram loiros.
            - O que está acontecendo? Vocês estão bem? – O homem loiro perguntou que parecia ser o mais novo dos três perguntou.
            - Levei-a para ver sua casa e fomos atacados por um Lobo. Conseguimos correr de volta em segurança, mas temo termos sido seguidas por alguns deles.
            - Nastasia, Adrian, precisamos fazer uma ronda e garantir que eles não achem nossa casa. Vamos. – O homem loiro falou em tom de ordem para os outros dois que o seguiram em direção a escada.
            - Georg, tenha cuidado! Não sei quanto mais deles podem estar lá fora.
            - Não se preocupe Alyson, não vamos longe. – E ao dizer isso, ele e os outros dois sumiram escada acima em completo silêncio.
            Toda essa cena me deixou mais confusa com o que estava acontecendo. Eu não conseguia assimilar todos aqueles acontecimentos. Era tudo tão irreal que eu me sentia presa em um sonho sem sentido de onde não conseguia escapar. Não sabia que havia outras pessoas naquele lugar, mas a visão dela com ferimentos pelo corpo, roupas rasgadas e sujas de sangue evitou que naquele momento, qualquer curiosidade sobre aquelas pessoas passassem pela minha cabeça. Sentei-me tonta e ofegante, ainda tremendo sob efeito da adrenalina que me afetava. Ela puxou uma outra cadeira e sentou-se a minha frente. Pude ver que seus ferimentos se curavam rapidamente, e em alguns lugares eles nem mais existiam, apenas restava uma leve vermelhidão e manchas de sangue. Ela me serviu um copo de água que tomei com muito gosto, só assim percebendo que minha boca estava seca.
            - O que aconteceu lá fora. Porque fomos atacadas por aquele cachorro?
            - Aquilo não era um cachorro, Liesl, e tenho certeza de que você o viu voltando a sua forma original depois de morto. Eu sei que é tudo muito estranho, mas não somos comuns, Georg, Adrian, Nastasia, eu. Nascemos como humanos, mas fomos acolhidos por uma linhagem antiga que nos tornou diferente.
            - O que você quer dizer com isso? Como uma pessoa não pode ser humana?
            - Tenho certeza de que você sabe que, se eu fosse humana não poderia ter ganhado uma luta contra um cachorro normal, muito menos contra um lobo daquele porte. Julgando pela quantidade de livros que tinha na sua casa, imagino que já tenha lido alguma história ou lenda sobre vampiros e o que podemos fazer.
            - Mas são apenas estórias inventadas. É impossível que aquilo tudo seja verdade.
            - Nos livros somos descritos para parecermos meros personagens saídos da imaginação de um escritor criativo, mas toda lenda nasce de uma história verdadeira e se torna lenda pelas descrenças e fantasias que são acrescentados toda vez que ela é contada. Vampiros existem, mas não somos necessariamente assassinos como a literatura conta. Precisamos sim de sangue para sobreviver, e matamos apenas com o intuito de nos alimentarmos, apesar de existir muitos de nós que sentem o prazer em dilacerar gargantas.
            Era impossível para eu conseguir acreditar no que ela me dizia, e a irrealidade do momento cresceu ainda mais quando a Adrian entrou violentamente pela porta, banhado em sangue.
            - Eles nos acharam! – E ao terminar de falar, ele foi jogado contra a parede por um enorme lobo cinzento que agarrou um de seus braços com os dentes. Alyson pulou nas costas do lobo. Ela forçava a cabeça do lobo para trás para que ele soltasse Adrian, enquanto este mordia com voracidade o pescoço da fera, fazendo com que a mesma urrasse. Os três lutavam enquanto eu em pânico corri escada acima e ao chegar a o topo me deparei com Georg e Nastasia lutando com mais cinco lobos. Um dos lobos me viu. Corri o mais rápido que podia por entre as árvores, sempre ouvindo os passos do lobo que me perseguia, chegando cada vez mais perto. Olhei para trás e o vi saltando em cima de mim. Depois desse momento, tudo que eu lembro são imagens borradas e gritos.  

quinta-feira, agosto 08, 2013

Paz



E de tanto correr, suas pernas começaram a enfraquecer e. Ela tropeçou e caiu de joelhos. Ele a alcançou, segurou seus cabelos para trás e pressionou a arma de baixo de seu queixo. Ela estava calma. Não sentia medo. Correu apenas por instinto, mas no fundo não entendia porque corria. A chuva caia fortemente, deixando o dois encharcados. Ela com os olhos fechados, sentindo o delicioso frescor de cada gota que atingia sua pele contrastando com a dor de seus cabelos serem arrancados. Ela abriu os olhos e viu quem ela sempre desejou encontrar. Flutuava acima de sua cabeça coberta com seu manto preto. Ela então suspirou e relaxou seu corpo. Finalmente havia chego o momento pelo qual tanto desejava. O homem puxou seus cabelos fortemente e apertou o gatilho. E assim, tudo acabou.  E assim, ela encontrou paz.