quinta-feira, agosto 16, 2012

Liesl - Capítulo 4


Algumas folhas caíam e planavam por alguns segundos, brincando na brisa de que fazia os longos cabelos dela dançarem. Continuei me afastando, lentamente, de frente para ela, andando de costas, alerta a qualquer movimento que ela poderia fazer, mas ela não fez. Apenas me observava, sem ameaças em seu olhar. Meu coração me ensurdecia a cada batida que dava, ma expectativa do que poderia acontecer. Eu ofegava nervosa. Pensava apenas em correr, mas temia o que poderia acontecer se assim fizesse. Mas alguns passos para trás e ela de mexeu. A essa altura, o Sol já havia se posto por completo e eu brigava para conseguir enxergar, mas isso não impediu que a visse estendendo a mão, sem pronunciar nenhuma palavra, me convidando para entrar novamente, mas tal convite não me fez parar. Meus passos continuaram, mas foram interrompidos pelos gritos que se aproximavam pela floresta. Homens correndo, soldados, procurando alguém, procurando por mim. Como eu sabia disso, não sei como dizer. Eu apenas sabia. Talvez, todos os acontecimentos anteriores me fizessem perceber que eu havia escapado ao ataque a minha casa, e que agora, eu corria o risco de ser capturada. Não sei ao certo, e na verdade, acho que nunca vou saber. Enquanto minha cabeça girava em pensamentos para sair daquela enrascada. Os passos e gritos ficavam cada vez mais altos, então eu resolvi aceitar aquele convite. Corri, segurei a mão dela e me deixei ser puxada para dentro do alçapão, sendo, novamente, salva por ela. A portinhola bateu às minhas costas e pouco tempo depois os baques surdos de botas passando por cima dela. Não sei como não notaram que o som era diferente do chão da floresta, mas não nos acharam ali de baixo da terra. Descemos a escada as pressas e ela subiu novamente para garantir que, se achassem a porta, ela não fosse aberta. Após fazer isso, desceu novamente, se aproximou de mim e examinou minha cabeça. Eu não havia notado antes, mas tinha um curativo onde eu havia batido quando caí na floresta. Após me examinar, ela me olhou nos olhos e deu um leve sorriso. Algo nela me reconfortava. Por alguns segundos esqueci tudo o que havia acontecido e me deixei acalmar pelo olhar que ela mantinha fixo no meu. Meu corpo relaxou, e com as mãos em meus braços ela me guiou até uma cadeira, e ali me deixou para acender mais velas pelo lugar. Pude então finalmente a ver bem. Estatura mediana, pele branca, cabelos longos, ruivos e lisos até a cintura, olhos verdes. Usava um vestido preto, longo, com caimento leve, justo na cintura, mas que permitia total liberdade de movimentos. Ela puxou uma cadeira, a colocou a minha frente e sentou.
            - Espero que esteja se sentindo melhor!
           Pode parecer estranho. Mas ao ouvir a voz dela pela primeira vez, soube de imediato que a partir daquele momento, minha vida nunca mais seria a mesma.

Nenhum comentário:

Postar um comentário