Algumas folhas caíam e planavam por alguns segundos,
brincando na brisa de que fazia os longos cabelos dela dançarem. Continuei me
afastando, lentamente, de frente para ela, andando de costas, alerta a qualquer
movimento que ela poderia fazer, mas ela não fez. Apenas me observava, sem
ameaças em seu olhar. Meu coração me ensurdecia a cada batida que dava, ma
expectativa do que poderia acontecer. Eu ofegava nervosa. Pensava apenas em
correr, mas temia o que poderia acontecer se assim fizesse. Mas alguns passos
para trás e ela de mexeu. A essa altura, o Sol já havia se posto por completo e
eu brigava para conseguir enxergar, mas isso não impediu que a visse estendendo
a mão, sem pronunciar nenhuma palavra, me convidando para entrar novamente, mas
tal convite não me fez parar. Meus passos continuaram, mas foram interrompidos
pelos gritos que se aproximavam pela floresta. Homens correndo, soldados,
procurando alguém, procurando por mim. Como eu sabia disso, não sei como dizer.
Eu apenas sabia. Talvez, todos os acontecimentos anteriores me fizessem
perceber que eu havia escapado ao ataque a minha casa, e que agora, eu corria o
risco de ser capturada. Não sei ao certo, e na verdade, acho que nunca vou
saber. Enquanto minha cabeça girava em pensamentos para sair daquela enrascada.
Os passos e gritos ficavam cada vez mais altos, então eu resolvi aceitar aquele
convite. Corri, segurei a mão dela e me deixei ser puxada para dentro do
alçapão, sendo, novamente, salva por ela. A portinhola bateu às minhas costas e
pouco tempo depois os baques surdos de botas passando por cima dela. Não sei
como não notaram que o som era diferente do chão da floresta, mas não nos
acharam ali de baixo da terra. Descemos a escada as pressas e ela subiu
novamente para garantir que, se achassem a porta, ela não fosse aberta. Após
fazer isso, desceu novamente, se aproximou de mim e examinou minha cabeça. Eu
não havia notado antes, mas tinha um curativo onde eu havia batido quando caí
na floresta. Após me examinar, ela me olhou nos olhos e deu um leve sorriso.
Algo nela me reconfortava. Por alguns segundos esqueci tudo o que havia
acontecido e me deixei acalmar pelo olhar que ela mantinha fixo no meu. Meu
corpo relaxou, e com as mãos em meus braços ela me guiou até uma cadeira, e ali
me deixou para acender mais velas pelo lugar. Pude então finalmente a ver bem.
Estatura mediana, pele branca, cabelos longos, ruivos e lisos até a cintura,
olhos verdes. Usava um vestido preto, longo, com caimento leve, justo na
cintura, mas que permitia total liberdade de movimentos. Ela puxou uma cadeira,
a colocou a minha frente e sentou.
- Espero
que esteja se sentindo melhor!
Pode parecer
estranho. Mas ao ouvir a voz dela pela primeira vez, soube de imediato que a
partir daquele momento, minha vida nunca mais seria a mesma.

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