- Eu sei
que a situação é estranha, mas espero que não se sinta desconfortável estando
em um lugar diferente como este. – Ela disse, sentada a minha frente de pernas
cruzadas.
- Onde estão
meus pais? – Minha voz soou confiante, mas por dentro, eu tremia como se
estivesse em meio a uma nevasca. Ela parecia perceber meu nervosismo. Levantou,
se aproximou e pôs uma das mãos em meu ombro.
- Fique
calma, criança. Tudo a seu tempo. Você deve repousar antes que possamos
conversar sobre os acontecimentos recentes.
Mesmo por
cima da roupa, pude sentir o toque frio de sua mão. Não havia calor algum ali. Me
levantei tentando mostrar autoridade e com este movimento súbito, fiz ela dar
alguns passos para trás.
- Não, eu
não quero repousar. Quero saber onde estão os meus pais, quem é você e porque
estou aqui.
- Desculpe
não ter me apresentado antes. Me chamo Alyson. Vi que estava em perigo na
floresta e resolvi intervir. Não é certo vários soldados treinados correndo
atrás de uma jovem indefesa.
Não gostei
de ter sido chamada de indefesa, mas o fato de ela ter me salvado me fez sentir
menos ameaçada por estar em um local desconhecido.
- Então
aquilo não foi um sonho? Foi você quem pulou na minha frente daquele jeito?
- Sim. Temo
que se eu não houvesse intervindo, você poderia ter sido capturada, ou até
morta naquele momento.
- Mas você
não estava sozinha. Eram muitos soldados. Onde estão os outros que a ajudaram?
- Existem
outros morando comigo, sim, mas naquela noite todos estavam ocupados. Só
restava a mim nos arredores do bosque dos limites de sua casa.
Era
impossível não se surpreender ao ouvir aquilo. Como podia uma mulher, sozinha e
tão frágil, lutar contra todos aqueles homens? Mas tive que deixar essa
pergunta para uma outra hora. Ainda não sabia o que tinha acontecido aos meus
pais, e para ter essa informação, tive que perguntar.
- Meus
pais. Salvou eles também?
-
Infelizmente, você foi a única que pude ajudar.
- Onde eles
estão? O que aconteceu com eles? Eu...
- Até para
alguém como eu, é difícil ajudar mais de uma pessoa de uma vez, principalmente
na situação que estávamos. Você estava desmaiada e eu tinha que defender meu
território para que eles não descobrissem este lugar. Então, não posso lhe
dizer o que aconteceu a seus pais.
- Então nós
temos que ir atrás deles agora. Eles devem estar procurando por mim! – Tentei
correr em direção a escada, mas ela parou em minha frente impedindo que eu
desse mais um passo.
- É
perigoso demais sair agora.
- Não, você
não entende! Eu tenho que sair agora. Tenho que ir atrás deles. Eles estão
esperando por mim. Eu... – A esse ponto eu ofegava, meu coração apertava,
sentia as lágrimas chegando aos meus olhos e começando escorrer pelo meu rosto.
– Eu... – Meus joelhos cederam, caí a seus pés e tentava respirar em meio aos
soluços da dor que me sufocava. Ela sentou a minha frente e me abraçou,
esperando pacientemente que eu me acalmasse, e quando isso aconteceu, ela me
ajudou a levantar, me levou para lavar o rosto me conduziu até o recinto onde
eu havia acordado.
- Descanse
agora. Amanhã, se estiver se sentindo melhor, conversaremos mais. – E ao dizer
isso, saiu do quarto fechando a porta a suas costas.
