Era estranho ter o meu pai em casa o dia inteiro por vários
dias seguidos, mas essa passou a ser nossa rotina depois que ele recebeu uma
carta. Nunca me disseram o que estava escrito nela, mas pude ouvir ele e minha
mãe em algum tipo de discussão. Depois desse dia meu pai não foi mais
trabalhar. Ficava em casa, a maior parte do tempo em seu escritório mexendo em
papéis, enviando cartas, telegramas. Parecia preocupado com algo. Minha mãe
também. Não saía mais para seus chás da tarde, nem para nenhuma ocasião que
suas amigas importantes da sociedade a convidava. Uma noite no jantar eu resolvi
perguntar o porquê das coisas estarem diferentes e eles disseram que meu pai
havia trabalhar diretamente de casa e minha mãe não saia para fazer companhia a
ele e estar a seu dispor para qualquer coisa que ele precisasse. Não contestei
essa resposta, afinal era assim que as famílias funcionavam naquela época. A
esposa fazia tudo por seu marido e os filhos obedeciam sem questionar. Em pouco
tempo, as coisas pareceram ficar mais tensas. Tive que parar de ir à escola e
meus pais não saíam de dentro de casa nem para caminhar um pouco em nossos
jardins. Os ouvi várias vezes falando em viagens, mas paravam imediatamente com
o assunto quando percebiam que eu estava por perto, até que em uma tarde eles
me chamaram no escritório de meu pai e me disseram que teríamos que deixar
nosso país por um tempo pois Hitler queria que meu pai comandasse suas tropas. Nossa
família era contra seus ideais, mas, como todos sabiam, ninguém contrariava
Hitler.
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Gostei muito.
ResponderExcluirParabéns. É um belo texto. ^^
Nells sabe que escreve bem, aí posta essas histórias, e mata todo mundo de curiosidade em cada capítulo UHEUHEUEHUEHUEH. Quero mais, ein u_u
ResponderExcluirAnsiosa para o segundo capítulo *-*
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