terça-feira, outubro 25, 2011

Cacos de vidro

Me sinto andando sobre cacos de vidro. Tenho que dar cada passo com extremo cuidado, pois um erro qualquer pode me machucar.

domingo, outubro 16, 2011

Renascer

Não me lembro de como aconteceu exatamente. Como eu cheguei até aquele lugar. Tenho flashes de memória sobre aquele dia, mas nada concreto. Vejo alguns rostos borrados, luzes, cores, às vezes até sinto cheiros, mas nada que me faça entender como aconteceu. Lembro do que senti. Lembro de estar nos braços de alguém em um lugar onde ouvíamos os sons abafados de alguma outra sala, como se estivéssemos dentro de um quarto com portas e janelas fechadas. Música alta, falatório... Lembro de sentir algo arranhando de leve meu pescoço. E lembro da dor que veio em seguida no mesmo lugar onde meu pescoço havia sido arranhado e do prazer que precedeu a dor. Algo que eu nunca havia sentido antes e que eu não sentiria nunca mais. Algumas coisas são únicas, assim como aquele momento. Apesar de eu não lembrar de muito, tenho aquele dia como um dos mais importantes da minha existência. Depois daquele momento, minha vida nunca mais foi a mesma. Foi por causa daquele dia que me tornei o que sou agora.

domingo, outubro 09, 2011

Presença

Ela havia afastado todos de sua vida. Interagia só com aqueles que tinha que interagis fosse por trabalho ou convivência diária, mas fora isso, todos que tentavam chegar perto, ela afastava. Não era rude, só queria ficar sozinha e não escondia isso de ninguém. Sentia-se solitária sim, mais quando rodeada de pessoas do que quando estava sozinha, apesar de o silêncio de sua casa quando nela apenas ela estava a incomodava. Mas ela sempre tinha maneiras de se distrair, fosse ouvindo música ou passando distraidamente os canais da televisão, ela raramente era consumida pela ociosidade de ficar parada vendo as horas passarem. A mente dela era ativa demais para que permitisse que isso acontecesse. Ela parou de se sentir sozinha um dia. Em meio a pessoas ela se sentia solitária como sempre, mas as horas diárias que passava só em casa passaram a ser tão vazias em uma tarde. Não havia um corpo com ela, mas sim uma presença. Ela começou a sentir essa presença uma vez ou outra e com o tempo ela se tornou mais presente. Ela não sabia quem era e nem o que queria, mas sentia que não era algo ruim, era só uma compania. A observava, cuidava dela quando ela dormia, a confortava quando estava triste. Tudo isso sem tocá-la, sem falar com ela. Tudo isso apenas por lhe fazer compania. E quanto tempo mais ela passava com essa presença, menos ela queria estar com pessoas de verdade. A presença não a fazia mal algum, enquanto estar com pessoas a fazia sentir que deveria estar longe de qualquer ser humano existente. E assim ela se mantinha. Cada vez mais longe de pessoas, cada vez mais sozinha com a presença, pois era isso que a fazia bem.

quinta-feira, outubro 06, 2011

Me perdi na escuridão

Me perdi na escuridão. Mas ainda estava claro quando comecei a andar. Passei por todos os lugares, todos aqueles lugares onde esperava te encontrar, te procurei, te esperei, mas você não estava em nenhum lugar. E eu andei. Continuei andando. Continuei te procurando até o dia acabar. Fui até lugares desconhecidos, lugares onde nunca achei que você poderia ir um dia, lugares onde achei que nunca te encontraria. As horas passaram. Meus pés doíam. E a escuridão me consumiu. Já não conseguia ver. Já não conseguia andar. Me perdi na escuridão, e você não estava lá para me salvar.

domingo, outubro 02, 2011

Caos

Palavras. Sons. Vozes. Pessoas falando e falando. Muita confusão. Bocas se movem e saem som delas. Muitas vozes ao mesmo tempo. Impossível entender. Palavras, palavras, caos, discussões, imagens, sentimentos, vontades... Tudo preso, gritando, querendo sair, bagunçando minha cabeça, brigando, desesperados, tentando falar ao mesmo tempo. Todos. Palavras. Gritos. Vozes. Confusão. Caos. Bagunça.