segunda-feira, julho 30, 2012

Liesl - Capítulo 2

Eu havia acabado de deitar para dormir quando minha mãe entrou as pressas no quarto, dizendo para que eu me vestisse. Mexeu no meu armário, jogou umas peças de roupas quaisquer em cima de mim e saiu dizendo que tínhamos que sair da casa o mais rápido possível. Enquanto eu me vestia, ouvia batidas violentas na porta da frente da casa e vozes que gritavam chamando por meu pai. Terminei de me vestir e saí a procura de minha mãe. Parei no topo da escada e vi alguns de nossos criados tentando impedir que a porta fosse aberta a força. A confusão na casa aumentava devagar e ao mesmo tempo rápida de uma maneira que não consigo me lembrar dos detalhes. Senti um uma mão segurando com força um dos meus braços e me forçando a descer a escada, correndo, até o escritório de meu pai, e só chegando lá que percebi que era minha mãe. Ela e meu pai debatiam, falando rapidamente, discutindo o que fazer. Meu pai passou pela porta a passos rápidos e nós o seguimos. Atravessamos todo o interior da casa e quando passamos pela porta dos fundos, pude ouvir o estrondo da porta da frente sendo derrubada e muitos gritos raivosos. Começamos a correr o mais rápido que podíamos, mas antes que chegássemos aos limites de nossa propriedade, os homens que nos perseguiam nos alcançaram e tentavam impedir que continuássemos a todo custo. Vários soldados nos cercaram e nos seguraram. Eu me debatia desesperada, tentando me soltar de qualquer forma. Meus pais lutavam com todas as forças, também tentando escapar, mas de alguma forma que eu nunca descobri como, consegui me soltar. Meus pais, ao verem isso, gritaram para que eu corresse, e assim eu fiz. Corri com todas as minhas forças, o mais rápido que pude e me entranhei na floresta que beirava nosso terreno. A cada passo, ficava cada vez mais difícil manter a velocidade. O caminho ficava mais apertado, meus pés tropeçavam nas raízes, eu esbarrava nos trocos de árvores, e nada fazia com que os homens parassem de me perseguir. Ouvia passos cada vez mais perto, e em um momento de desespero, meu pé enganchou em uma raiz, me fazendo cair e bater a cabeça em um tronco. A última coisa que vi, foi um vulto negro pulando em minha frente.

quarta-feira, julho 18, 2012

Liesl - Capítulo 1


Era estranho ter o meu pai em casa o dia inteiro por vários dias seguidos, mas essa passou a ser nossa rotina depois que ele recebeu uma carta. Nunca me disseram o que estava escrito nela, mas pude ouvir ele e minha mãe em algum tipo de discussão. Depois desse dia meu pai não foi mais trabalhar. Ficava em casa, a maior parte do tempo em seu escritório mexendo em papéis, enviando cartas, telegramas. Parecia preocupado com algo. Minha mãe também. Não saía mais para seus chás da tarde, nem para nenhuma ocasião que suas amigas importantes da sociedade a convidava. Uma noite no jantar eu resolvi perguntar o porquê das coisas estarem diferentes e eles disseram que meu pai havia trabalhar diretamente de casa e minha mãe não saia para fazer companhia a ele e estar a seu dispor para qualquer coisa que ele precisasse. Não contestei essa resposta, afinal era assim que as famílias funcionavam naquela época. A esposa fazia tudo por seu marido e os filhos obedeciam sem questionar. Em pouco tempo, as coisas pareceram ficar mais tensas. Tive que parar de ir à escola e meus pais não saíam de dentro de casa nem para caminhar um pouco em nossos jardins. Os ouvi várias vezes falando em viagens, mas paravam imediatamente com o assunto quando percebiam que eu estava por perto, até que em uma tarde eles me chamaram no escritório de meu pai e me disseram que teríamos que deixar nosso país por um tempo pois Hitler queria que meu pai comandasse suas tropas. Nossa família era contra seus ideais, mas, como todos sabiam, ninguém contrariava Hitler.

terça-feira, julho 17, 2012

Liesl - Prefácio


Hoje em dia, quando penso no passado, percebo que aquele momento foi minha salvação. Se não fosse por ela... Na verdade, são tantas coisas que poderiam me ter acontecido que não consigo imaginar qual seria a pior.
Meus pais faziam tudo por mim, sabe... Nada do que aconteceu foi culpa deles. Na verdade, acho que eles ficariam felizes se me vissem agora. Vivíamos bem em nossa casa, afinal não éramos pobres. Mas nossa riqueza não impediu que fossemos afetados pela guerra. Meu pai era um importante general do exército. Nunca me intrometi nas coisas do trabalho dele. Ele estava sempre ocupado, viajava várias vezes ao ano, mas sempre estava presente em datas importantes. Já minha mãe, essa era a pessoa que eu não passava um dia sem ver. Ela fazia nossa casa funcionar. Comandava os criados, cuidava das finanças, organizava os bailes de que eu tanto gostava de participar. Eram bons pais. Nunca me deixaram faltar nada e sempre fui tratada com muito amor. Em meu aniversário de dezesseis anos, minha mãe organizou uma luxuosa festa para todos nossos conhecidos. Foi a maior festa que vi até aquela época. Um quarteto de cordas tocando as valsas que eu tanto gostava, um bolo enorme de glacê branco e flores rosa e todos com suas melhores vestes. E a decoração. Foi a melhor que ela havia planejado. Estava tudo absolutamente lindo. Perfeito. Mas, foi a última festa que ela deu. Em poucos meses, tudo mudaria para sempre.

domingo, julho 01, 2012

Pequenos detalhes

São esses pequenos detalhes que fazem a diferença, sabe... Uma vírgula a mais que você diga pode mudar todo o sentido de uma frase. Pode mexer com a cabeça da pessoa. Fazer ela pensar diferente. Se sentir diferente. Mas as pessoas não vêem isso. Nunca vêem. Elas agem. Não pensam. Agem conforme pensam em agir naquele momento.  Não consideram seus atos ou as possíveis consequências que suas atitudes podem causar. Não levam em conta o que coisas simples como apenas um olhar ou uma palavra pode fazer. Isso pode causar danos. São esses pequenos atos que costumam afetar o próximo mais intensamente. Pois eles não são pensados, não são planejados e não são considerados como importantes. Mas o fato de serem pequenos é o que os torna importantes. Pois são inconscientes, e significam que é o que a pessoa carrega dentro dela.