sábado, julho 16, 2011

Solidão

Solidão não é ficar em casa sozinho. Solidão é estar no meio de pessoas, conhecidas ou não, e mesmo assim se sentir como se não pertencesse a aquele lugar. Solidão é estar em meio a pessoas queridas e sentir que não deveria estar ali. Solidão é pensar em tudo e todos que conhece e não se e perceber que você não se encaixa em nenhum lugar. Solidão é desejar estar nos braços de alguém e sentir que é lá que você deve estar, e pela primeira vez sentir que a solidão não existe, se sentir completo, sentir que finalmente pertence há algum lugar.

terça-feira, julho 05, 2011

Invisível

Sua cabeça rodava com tantos pensamentos contraditórios que naquele dia, resolveram aparecer para perturbar sua mente normalmente perturbada. Sentada à mesa do bar com os amigos, ouvindo-os contar suas anedotas que tiravam gargalhadas altas de vários integrantes da conversa, fazendo com que algumas vezes, pessoas que também frequentavam o lugar naquela noite os olhassem como se fossem a apresentação mais bizarra que já existiu. Uma palavra, um olhar ou um gesto, ela não sabia ao certo, mas algo desencadeou dentro dela uma tormenta de sentimentos que gritavam para serem ouvidos mesmo não existindo palavras que os explicassem. Em um movimento rápido, ela se levantou derrubando a cadeira em que sentara e chamando a atenção de todos no lugar, e sem nem ao menos olhar no rosto de ninguém, ela correu do bar, alcançando a rua e cortando a grande quantidade de pessoas que sempre estavam por aquelas bandas em noites de fim de semana. Ela correu, e correu em meio a multidão, até seus pulmões doerem e suas pernas ficarem bambas de cansaço e a obrigassem parar, fazendo-a cair de joelhos, cansada, ofegante, de cabeça baixa, com as mãos no chão apoiando o corpo que a pedia para deitar. Ela queria gritar, queria correr mais e sumir para sempre dali, queria que caísse uma pesada chuva que limpasse as lágrimas que corriam por seu rosto revelando toda sua dor contida que agora forçava saída de seu corpo. Ela esperava. Esperava que ele aparecesse e a segurasse em seus braços e sussurrasse em seu ouvido que tudo ficaria bem, que ele estava ali para ouvi-la e tentar ajudá-la. Mas ele não apareceu. Ela então se levantou, enxugou suas lágrimas na manga do casado e voltou ao bar. Todos de sua mesa continuavam ali conversando como antes. Ela pegou sua bolsa e foi embora. Ao sair pelo bar, ela olhou para a mesa novamente e ele continuava ali, conversando, sorrindo, se divertindo, como se nada tivesse acontecido, como se ela não existisse.