sábado, maio 21, 2011

Vende-se uma alma.

VENDE-SE UMA ALMA! Foi o que ela escreveu um dia de brincadeira em uma de suas redes sociais. O fim do mês estava chegando e com ele vinham as contas para as quais ela não tinha dinheiro para pagar. Ainda... Pouco tempo depois de ela ter escrito o anuncio de brincadeira, apareceu uma mensagem para ela de alguém perguntando o preço de sua alma e lógico que ela pensou ser uma brincadeira, mas como ela estava de bom humor ela decidiu responder e levar a tal brincadeira adiante. Enviou uma mensagem dizendo que aceitaria uma fortuna infinita e esperou por uma resposta. Enquanto ela esperava pela continuação da brincadeira, seu celular tocou e no visou aparecia que o número do telefone que ligava estava bloqueado. Ela atendeu mesmo assim, falando aquele ‘Alô’ que se diz quando não se sabe quem está do outro lado da linha.
- Olá, estou ligando por causa do anuncio da alma...
- Ta brincando comigo, né? Quem ta falando?
- Você não anunciou que está vendendo sua alma? Eu estou interessado em comprá-la e pago a quantia que você quiser. E não se preocupe, você continuará com a sua alma até o dia de sua morte, e só então pegarei nosso trato estará concluído.
- Olha cara, não sei como você conseguiu o meu número de telefone, mas essa brincadeira já foi longe demais.
E com isso, ela desligou o celular, jogou-o em um conto e continuou se entretendo com o computador. Nem cinco minutos se passaram, e a campainha tocou. Ela se levantou e foi atender o infeliz que a fazia levantar da confortável poltrona em que ela costumava passar horas e horas sentada. Abriu a porta e deu de cara com um homem usando terno preto e gravata vermelha, ambos de alta qualidade.
- Está mesmo interessada em vender sua alma?
Enquanto ele dizia isso, ela notava que seus olhos eram completamente negros com um estranho reflexo vermelho.
- Você não pode estar falando sério?
- Querida, eu estou aqui, na porta da sua casa e você nem ao menos me deu seu endereço. Ainda achas que estou de brincadeira? Se estiveres mesmo interessada em vender sua alma, deixe que eu entre e te explicarei os termos que envolvem nosso contrato.
Ela ficou uns segundos observando o estranho homem bem vestido que aparecera em sua porta e decidiu deixá-lo entrar. Conduziu-o até a sala onde ambos se sentaram à mesa. Ele abriu a valise que carregara e de dentro tirou uma série de papéis.
- O contrato funciona dessa forma: Dou-te o que quiseres e quando deixar essa vida, vossa alma passa a ser minha pela eternidade.
- Você me da o que eu quiser? Tipo qualquer coisa que eu deseje?
- Sim, o que desejares terá em troca de sua alma.
Ela se levantou pela cadeira e andou pela sala por uns minutos, tentando colocar seus pensamentos em ordem junto com a proposta que o homem acabara de oferecer. Sentou-se novamente em sua cadeira e olhou para o homem que passara esses minutos a observando.
- Então isso é sério mesmo? Se eu assinar esse contrato a minha alma passará a ser sua quando eu morrer e você vai me dar qualquer coisa que eu queira? E o que acontece com a minha alma? Vou passar a eternidade sendo torturada onde quer que você viva?
- Talvez sim, talvez não. Gostei de você, então dependendo de como levares sua vida depois de assinar o contrato podes levar uma vida não tão desprezível perto em meu reino.
Ela pegou o papel onde o contrato estava redigido e o fitou por um momento.
- Tem uma caneta?
O homem tirou uma caneta do bolso interior de seu paletó e a emprestou. Ela escreveu no contato deu desejo, assinou-o e o devolveu ao homem. Ele pegou o contrato, guardou-o em sua valise e desapareceu. No dia seguinte, tudo estava diferente. Ela estava onde queria e tinha o que queria. Continuou vivendo normalmente sem as dores de cabeça que a atormentavam antes de conhecer o estranho que aparecera em sua porta. E assim ela viveu, anos e anos, até o dia de sua morte, quando, depois de muitos anos, ela encontrou aquele homem novamente, e no reino dele, passou a eternidade.

sexta-feira, maio 20, 2011

San Francisco

San Francisco, USA. Uma das cidades que ela sempre quis visitar e depois de anos de muito esforço ela conseguiu a quantia necessária para realizar a viagem de seus sonhos. De malas prontas, ela entra no táxi a caminho do aeroporto. Faz o check-in, entra no avião e acomoda-se na poltrona ao lado da janela ansiosa com as horas de viagem que a separavam de seu destino. Finalmente depois de horas gastas em uso das duas baterias do laptop, palavras-cruzadas e admiração da vista que a janela oferecia, o avião pousou em terra firme. Malas pegas da esteira, hora de ir para o hotel. O pequeno trajeto de táxi do aeroporto ao hotel, mesmo estando de noite já a deixou estupefata. Já era tarde e a longa viagem a deixara bem cansada, então depois do check-in e de um breve jantar no hotel, ela resolveu recolher-se em seu leito lembrando de deixar o despertador do celular programado para despertar bem cedo, pois assim ela não perderia nenhum segundo do dia sequer. O Sol mal havia nascido e ela já saia de seu quarto para tomar café da manhã e explorar a cidade que tanto sonhara em conhecer. Nos dias que ficou na cidade, alugou um carro apenas para ter o prazer de dirigir pela ‘Lombard Street’, passou pela ‘Paited Ladies’ para ver as lindas casinhas em estilo vitoriano, visitou a ‘Coit Tower’ de onde pôde ver a cidade do alto e de uma maneira que antes nunca tinha imaginado. Conheceu a ‘Union Square’ e perto de lá embarcou em um dos tradicionais bondes puxados por cabos subterrâneos para ter a visão da cidade com um típico morador de San Francisco teria. Almoçou várias vezes no ‘Fisherman’s Wharf’, cada vez experimentando um restaurante diferente, sempre em uma mesa com vista para o mar onde saboreava a comida admirando o maravilhoso mar que banha San Francisco. Conheceu todos os pontos turísticos da cidade, esperando o dia perfeito para conhecer o lugar com o qual tanto sonhara. Último dia de viagem, e como os dias anteriores, ela acordara bem cedo para aproveitar os segundos que restavam naquela cidade que ela via como perfeita, mas antes de sair de sua suíte, deixara em cima da penteadeira um envelope. Como ela tanto desejava, o dia estava perfeito. Temperatura agradável, o Sol brilhava no céu em meio a algumas nuvens brancas como algodão que o faziam companhia. Nesse dia ela não usaria o carro. Devolveu-o à locadora e foi fazer seu passeio a pé. Seu destino era longe do hotel, mas ela não se importava, andar por aquelas ruas dava uma sensação diferente. No caminho, para passar o tempo ela visitou lojinhas, almoçou em um restaurantezinho escondido, mas com comida muito saborosa. O dia foi passando e chegava perto do fim da tarde, o momento que ela esperou para fazer o que tanto desejara. Foi até a ‘Golden Gate’. A visão daquela magnífica ponte vermelha cortando o mar, sustentada por cabos de aço foi o que ela tanto do desejara ver em sua vida. Caminhou pela calçada da ‘Golden Gate’ respirando o ar que vinha do mar, parando bem no meio da ponte para admirar a grandeza do mundo que a rodeava. Estava quase na hora do pôr do Sol agora, então ela andou até uma das torres de sustentação da ponte e sem que ninguém percebesse, subiu suas escadas até o topo e sentou na beirada com as pernas penduradas para fora para admirar o espetáculo que começara. Foi o pôr do Sol mais bonito que ela vira na vida. O Sol tocava o mar deixando o céu em tons alaranjados e rosas. Antes que o Sol se recolhesse por completo, ela levantou, deu um impulso e pulou. Horas depois, encontraram em seu quarto de hotel o envelope que deixara de manhã. Dentro havia um cheque para as despesas do hotel e uma carta explicando o que fazer com seus pertences.
No final, tudo o que ela queria era um dia perfeito, e com seus próprios esforços, ela conseguiu e decidiu mantê-lo como seu último.

quinta-feira, maio 05, 2011

Amor?

Amor... O que seria isso afinal? Uma palavra? Um sentimento? Uma Ilusão? Um estado de mente e de espírito que faz uma pessoa sentir e pensar de maneira distorcida sobre algo ou alguém. Parei de usar essa palavra. Às vezes chega um certo ponto da vida que ela perde o sentido. Não mais digo que amo, pois também não possuo mais esse sentimento. Já amei sim. Já amei alguém, já amei algo, mas o coração também caleja, e enfrentamos a decisão de querer continuar sentindo, sofrendo ou abrir mão disso. Acho que minha decisão já está óbvia para muitos. Amar para que se junto vem a dor? Um dia, no futuro, talvez, mas agora eu não quero. Agora, amor não passa de uma ilusão que vem acompanhada de dor e sofrimento.