quarta-feira, novembro 24, 2010

Zumbis

Cheguei à porta e encontrei três crianças fantasiadas e com máscaras de Halloween querendo entrar, mas eu segurei a porta pelo lado de dentro.
- Deixa a gente entrar, eles estão vindo! - Um cara do lado de fora disse.
Abri a porta.
- É verdade então?
- É, é verdade, agora deixa a gente entrar.
Me afastei da passagem e eles entraram no grande ambiente onde eu estava. O cara pegou uma vassoura e passou o cabo por entre os puxadores da porta para que ela não pudesse ser aberta por fora, mas já era tarde. Mãos putrefatas passavam pelas janelas da porta tentando abri-la e nos alcançar.
- Onde você está se escondendo? - Ele me perguntou.
- Na cozinha. - Eu disse apontando para a porta na extremidade oposta do cômodo.
- Na cozinha?
- É, na cozinha! É lá que fica a comida, caso você não saiba. Não sei quanto tempo vou ficar presa aqui, então achei melhor ficar perto de onde eu possa me alimentar.
- Tá bom, vão vocês para lá e tranquem a porta.
- Ok.
Estávamos agora eu, minha mãe e duas crianças no meu antigo apartamento, precisamente na cozinha, que agora era bem maior e tinha uns colchões jogados no chão para termos onde dormir. A porta da cozinha estava fechada, mas não tínhamos como trancá-la. Meu celular tocou e eu atendi imediatamente.
- Alô? - Eu disse sussurrando para que nenhum som pudesse ser ouvido do lado de fora chamando alguma atenção.
- Noelle, onde vocês estão? - Minha irmã, Karen disse do outro lado da linha.
- Em casa, na cozinha.
- Tranca tudo aí, apaga as luzes, a rua está tomada, eles estão invadindo o seu prédio e já pegaram o Fernando.
Olhei pela janela da porta da cozinha e vi luz da sala estava acesa e a janela aberta.
- Tá, Karen, vou desligar...
- Espera...
- Tchau... Tchau...
Ouvi uns sons no corredor do prédio. Abri a porta da cozinha para correr e apagar a luz da sala, e foi aí que eu vi a porta da sala abrindo devagar e dois Walkers entrando vagarosamente. Fechei a porta correndo e me sentei contra ela tentando impedir que ela abrisse quando eles a forçassem. Tentei chamar a minha mãe com gestos para que ela me ajudasse com a porta, mas ela não me olhava. E foi aí que eu acordei hoje de manhã com o coração palpitando e sem descobrir como acaba o sonho.

Isso que dá ir dormir sem acabar de ver um episódio de The Walking Dead...

sexta-feira, novembro 19, 2010

Menos uma

A - Mas como? O que aconteceu?
B - Não se sabe, só a encontraram lá.
A - Mas não sabem o motivo?
B - Talvez ela só estivesse cheia da vida. Sei lá, na verdade nunca vamos saber seus reais motivos.
A - Ela as vezes comentava sobre isso, mas eu sempre achei que eram só palavras, nnca imaginei que ela seria capaz de fazê-lo.
B - É, eu também pensava assim. Só que agora já aconteceu, não há nada que ninguém possa fazer para mudar isso.
A - É... Menos uma...
B - Menos uma...

quinta-feira, novembro 18, 2010

Poesia

Acho tão poético o cano de uma arma encostando nas têmporas seguido pelo gatilho sendo puxado e a bala atravessando o alvo dando um fim ao sofrimento.

Rotina

As horas passavam lentamente. Minuto por minuto. Segundo por segundo. Tic, tac, tic, ta, tic, tac... O Sol sobe cada vez mais alto no céu. Vozes podem ser ouvidas por perto dizendo nada interessante para ser registrado. O botão do controle-remoto é pressionado repetidamente sem que algo de interessante seja encontrado na televisão. O Sol encontra-se em seu ponto mais alto agora e o esômago começa a mostrar sinais de insatisfação com sua situação atual. Algumas besteiras são tiradas da geladeira fazendo com que o estômago se cale por um tempo. O corpo dirige-se para seu local de repouso e os dedos voltam a maltratar o controle-remoto à procura de akgum entretenimento. O Sol agora já está perto do fim de seu expediente. O chuveiro é ligado lavando a poeira de todo um dia. Estrelas são vistas no céu, acompanhadas por una grande e brilhante Lua. O estômago novamente insatisfeito reclama na esperança de receber algo que o acalme, mas é imediatamente ignorado. As cobertas são puxadas e o corpo se acomoda en seu leito. Revira-se por horas e enfim se rende ao inconsciente. Por fim, a Lua se retira para seu descanso e o Sol aparece para reinar por mais um dia.

domingo, novembro 14, 2010

The truth

Life it's just something people believe it's worth. But the truth it's that's not.

Água

A água foi despejada em algum ralo qualquer, e as últimas gotas que restaram desapareceram no momento em que o copo se despedaçou ao atingir o chão.

sexta-feira, novembro 12, 2010

Lembranças

E enquanto eu ficava lá ajoelhada no chão pintando de branco metros e mais metros de papel, as lembranças daquele Janeiro de 2008 que passei no Rio de Janeiro com o meu pai me vieram em mente. As horas no usando o laptop no trabalho dele, os dias jogada no sofá assistindo televisão na casa minúscula no meio do nada que ele morava, os passeios de moto pela cidade maravilhosa e pela ponte Rio-Niterói, a visita à Petrópolis, a cidade que morei por menos tempo e que mais amei, a culinária deliciosa do Rio, dezenas de Mil-Folhas, idas aos shoppings da minha infância assim como a visita à minha antiga rua e escola. E depois de tudo isso, passar metade da viagem de volta à Santos chorando por saber que estava voltando para o inferno que é a minha vida. Acho que preciso de um mês fora novamente. E quem sabe, esse mês não se torne algo permanente.

domingo, novembro 07, 2010

Toalha branca

Por tudo pelo que já lutei e que foi me tirado, me deixando no chão. Mas eu sempre levantei. Batia a poeira do meu corpo e continuava caminhando, lutando. Mas agora parece que a queda foi grande demais. Não quero mais levantar. O chão parece um bom lugar. Já tenho cicatrizes demais e não preciso de mais uma, não quero mais uma. Chega uma hora em que o lutador tem que se render, e acho que essa é a minha hora. Jogo a toalha branca para não ter mais que perder o que amo. Não mais... Alma e corpo ficarão separados pela eternidade.

Que os dias passem até o que o fim chegue.